10 agosto 2007

Ciclistas não usam ciclovias e transformam a cidade num caos

Nas calçadas, disputam lugar com os pedestres, nas ruas, avançam em cima de carros, ônibus e caminhões

Leonor Bianchi

O dado ainda não é oficial, mas segundo a secretaria de Guarda e Trânsito, que quer apresentar números mais precisos daqui a seis meses, Rio das Ostras tem atualmente mais bicicletas do que habitantes. O cálculo estimado feito pelo órgão registra nada mais nada menos do que cem mil bicicletas em circulação pelas ruas do município.

Até aí, tudo bem, pois a cidade tem uma geografia plana e favorável à utilização do transporte alternativo que, além de ter baixo custo de manutenção, não polui o meio ambiente com o despejo de resíduos químicos. O grande problema é que nos últimos tempos, as bicicletas, ou melhor, seus condutores, têm causado um verdadeiro caos no trânsito da cidade, além de serem agentes de iminente perigo quando estão nas calçadas, disputando espaço com os pedestres.

Segundo levantamento feito pela secretaria de Guarda e Trânsito, o número de registros de acidentes causados por ciclistas têm aumentado sensivelmente na cidade. Uma guarda municipal que trabalha no projeto de orientação aos ciclistas de Rio das Ostras desenvolvido pela secretaria, comentou que, quase diariamente, o Pronto-Socorro municipal atende pessoas feridas em acidentes que envolvem ciclistas e carros. Mas o mesmo acontece também entre ciclistas e pedestres, estes precisamente os mais prejudicados, pois são praticamente impostos a concordarem silenciosamente com a falta de respeito dos ‘pedaleiros de calçada’.

Como medida para solucionar a equação e reduzir a probabilidade de mais acidentes, foram construídas ao longo da extensão da rodovia Amaral Peixoto, vários trechos de ciclovias. Porém, as mesmas quase não são usadas pelos ciclistas, que insistem em trafegar em calçadas e na própria rodovia. As ciclovias poderiam ser a resposta para a equação mas, além de não serem usadas, em um dos principais trechos da rodovia, o que fica entre a igreja matriz, na altura da praça José Pereira Câmara, no Centro da cidade, e a ponte sobre o rio das Ostras, ela simplesmente não existe, obrigando os ciclistas a optarem pelo tráfego nas calçadas e na rodovia.

Ciclovia virou estacionamento
De acordo com alguns moradores, quando foi estudado o projeto de reurbanização da rodovia Amaral Peixoto, há quatro anos, havia no desenho do mesmo uma ciclovia para toda a extensão mencionada, dando prioridade aos ciclistas que precisassem trafegar pelo trecho. Contudo, como se pode ver hoje, o projeto não foi executado e o espaço que seria usado para a ciclovia foi utilizado para a construção de estacionamento de carros. Isso obriga os ciclistas a escolherem as vias secundárias, ou seja, as ruas paralelas à Amaral Peixoto, para pedalar sem pôr em risco sua segurança e também a dos pedestres.
Quem sugere a alternativa é a guarda municipal Iranete Antunes, que na semana passada coordenou a operação de conscientização dos ciclistas. Segundo ela, enquanto não há ciclovias no trecho, a medida mais segura para ciclistas e pedestres é a utilização pelos ciclistas das vias secundárias. “Não detenho informações sobre esta obra de urbanização, o que sei é que, de fato, o local que poderia ser uma ciclovia é usado para vagas de carros. Por isso, recomendamos nestas operações, que o ciclista utilize as ruas de trás da Amaral Peixoto, para que o número de acidentes seja reduzido”, explicou.

Ciclistas demonstram interesse em colaborar
Durante a entrevista à agente da GM, abordamos o inspetor escolar, Luiz Carlos Alves Souza, que passava pedalando sua bicicleta na calçada a menos de um metro de nós. Indagado por sua atitude, ele concordou que a calçada não seria o local apropriado para conduzir a bicicleta. “Você – disse ele à agente da Guarda - está absolutamente correta em chamar minha atenção. Se algum acidente acontecer entre mim e um pedestre, eu serei o responsável. Por isso, de agora em diante, quando precisar trafegar por este trecho, vou escolher as vias secundárias”, disse Luiz, predisposto a colaborar com a ação da GM.

Assim como ele, uma mãe que conduzia a filha em sua bicicleta, também foi flagrada pedalando em cima da calçada. Recebendo a orientação de outra agente que trabalhava na operação, ela se justificou, falando estar com pressa. Instruída a não pedalar e sim conduzir a bicicleta quando estiver na calçada, ela desceu do veículo e passou a empurrá-lo, demonstrando interesse em colaborar e dar exemplo a sua filha.

Iranete explicou que “quando o ciclista está pedalando a bicicleta ele é um veículo de propulsão humana, mas se estiver empurrando-a passa a ser um pedestre. E esta deve ser a forma correta de conduzir este tipo de transporte quando o ciclista estiver usando a calçada”, explicou a guarda municipal.

Ao todo, a Guarda Municipal disponibiliza três equipes com seis guardas municipais, que vão diariamente às ruas realizar a operação. Iranete enfatizou que o Centro não é o único local onde a abordagem aos ciclistas é feita. “A operação acontece nos locais onde o índice de tráfego de bicicletas é grande. O trecho da ciclovia que vai de Costa Azul até o Âncora também faz parte do projeto, pois mesmo com uma extensa ciclovia, é comum vermos muitos ciclistas trafegando em locais inadequados”, disse.

Ponte nova sobre o rio das Ostras também é local de iminentes acidentes
Projetada para ser, além de uma via para tráfego de veículos, um monumento arquitetônico inspirado no promissor futuro modernista de Rio das Ostras, a ponte nova construída pelo rio que dá nome à cidade é outro local de iminentes acidentes envolvendo ciclistas, pedestres e automóveis.

No desenho da ponte há locais para o tráfego de pedestres e de ciclistas, mas depois que a obra ficou pronta o que mais se escuta é que ambos têm que competir quem pode andar sobre ela. Em sua extensão não há divisão para a passagem de pedestres e de ciclistas, sendo o trápedestres e de ciclistas, sendo o trciclistas e o trbra ficou pronta o que mais se escuta gue pela orla atmas tambem acidentes


Mais dois quilômetros de ciclovia no Centro
Rio das Ostras conta hoje com vários trechos de ciclovias. Na altura do Jardim Miramar, atravessando o bairro de Cidade Praiana existe uma quase nunca utilizada. Do trevo, até a praça José pereira Câmara, há um outro longo trecho da via para ciclistas, boa parte dele, com vista para a bela praia das tartarugas, mas também muito pouco usado. Ainda no Centro, os ciclistas ganharão, ao final das obras de revitalização da praça São Pedro e da orla daquele trecho da cidade, mais dois quilômetros de ciclovia com vista para a praia do Centro.
Saindo do Centro e atravessando a nova ponte sobre o rio das Ostras, outra ciclovia. Esta vai de Costazul até o bairro Village, terminando na altura da cabine da Guarda Municipal, na Estrada da Califórnia.

Existem ainda, as ciclovias que não atravessam a Amaral Peixoto, ou seja, a de Costazul, na Avenida Roberto Silveira, que segue pela orla até a praça da Baleia, a de Ouro Verde, e a da Lagoa de Iriry, que começa na Avenida dos Bandeirantes e vai até a beira da lagoa.



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