10 setembro 2007

Mesmo com tantos investimentos em saneamento básico, moradores ainda não têm banheiro em casa e despegam esgoto in natura no rio das Ostras

Associação de moradores se mobiliza e reivindica ajuda da prefeitura para a construção dos locais de higiene e da rede coletora de esgoto
Leonor Bianchi


Parece impossível, mas não é. Em plena era da implantação de um moderno sistema de coleta e tratamento de esgoto – recentemente Rio das Ostras ganhou uma sofisticada estação de tratamento de esgoto, que conta com um emissário submarino, embora o mesmo ainda não esteja funcionando e não tenha previsão de quando começará a funcionar – nove famílias da cidade ainda não têm banheiro em casa e despejam seus esgotos diretamente no rio das Ostras. A informação foi dada pelo presidente da Associação de Moradores e Amigos dos bairros Ilha, Liberdade e Parque Zabulão, Evilson Pereira dos Santos, que está imbuído junto à prefeitura e secretarias competentes na elaboração de uma medida para solucionar o problema dos moradores da rua Santa Ana, no bairro Liberdade. No local residem 80 famílias e, aproximadamente, 150 pessoas.

Segundo Evilson, que já participou de reuniões com representantes do governo e profissionais das secretarias de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca e de Urbanismo, Obras e Serviços Públicos do município, uma ação conjunta entre o poder público e a comunidade foi a primeira iniciativa pensada para resolver a questão. Inicialmente, segundo o líder comunitário, os próprios moradores construiriam os banheiros, mas teriam aporte financeiro da prefeitura para tanto, que forneceria um kit com os materiais para a obra. Depois de outros encontros com as autoridades públicas, o projeto de construção dos banheiros passou a ser de responsabilidade do governo que, além de financiar a compra dos materiais necessários para a execução das obras e também a mão-de-obra dos envolvidos na mesma, será totalmente responsável pelas obras. “Estamos contando com o apoio do prefeito para fazermos esses banheiros. Já encaminhamos um projeto para a secretaria de Obras e aguardamos o retorno definitivo do secretário Paulo Vilaça para sabermos o fim desta negociação, pois pelo que ficou acordado as obras deveriam começar em 60 dias”, disse Evilson.

Residências despejam esgoto no mangue
Mesmo com os banheiros construídos, os moradores ainda terão de esperar para que seja instalada no local a rede coletora do esgoto e, também, assim como nas demais localidades do município onde a rede já foi instalada, o seu pleno funcionamento, que ainda não previsão para acontecer.

De acordo com o presidente da associação de moradores, a obra para a instalação, no local, de uma rede coletora de esgoto, também já está sendo licitada pela prefeitura e deve ser feita ainda este ano. Atualmente as famílias despejam seus resíduos orgânicos in natura no mangue, poluindo diretamente um dos maiores patrimônios ambientais da cidade e que, inclusive, é local de um grande projeto de proteção e preservação ambiental desenvolvido pela secretaria de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca.

Além das casas que não têm banheiro, existem 25 famílias no local que ainda não foram beneficiadas com o sistema de coleta de esgoto sanitário. Projeto que, de acordo com Evilson, já está na mesa do prefeito. “Também já encaminhamos este projeto para a prefeitura e sabemos que há interesse do prefeito em realizá-lo o mais rápido possível”, disse Evilson, informando que o mesmo já está em fase de licitação.

Para Evilson, o envolvimento do governo na causa foi uma vitória para os moradores diretamente afetados, mas foi um avanço para o meio ambiente e toda população da cidade. “Temos que preservar o meio ambiente e o mangue, pois dependemos dele. O mangue é uma fonte rica de vidas que precisam ser preservadas e, além disso, seria uma contradição este pedaço da cidade não receber atenção da prefeitura com relação ao destino do esgoto”, disse Evilson.

Vala na rua A ainda espera tratamento
Lutando em prol de melhorias para a população dos bairros Liberdade, Ilha e Parque Zabulão, Evilson vem ganhando espaço no cenário das lideranças comunitárias da cidade e avançando no resultado de suas solicitações. Além da construção dos banheiros, que em breve serão feitos na localidade mencionada, ele cita outro sucesso obtido através de seu diálogo com a prefeitura. Desta vez, volta à tona a antiga questão do valão da rua A.

Segundo Evilson, quando a maré enche, o rio das Ostras leva mais água para a vala, que transborda, causando uma série de problemas para as famílias que residem em seu entorno. Ele disse que já foi solicitada uma limpeza para a secretaria de Meio Ambiente, que esteve no local acerca de três meses, realizando uma ação paliativa. Contudo, a solução definitiva para que o valão pare de transbordar não é apenas sua limpeza. Evilson explicou que o problema só será sanado com o ‘manilhamento’ das águas do valão. “É necessário ‘manilhar’ todo o valão para que não aconteçam mais situações como as que já vimos anteriormente”, disse Evilson, que não obteve retorno dos responsáveis pela secretaria de Urbanismo, Obras e Serviços Públicos quanto à construção de uma galeria para o escoamento das águas do valão.

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