08 outubro 2007

Falta visão

Leonor Bianchi

Município tem alta demanda de pacientes para otorrino e oftalmologia, mas governo não demonstra interesse em fazer parcerias com o hospitais especializados para tratá-los

Quase 200 pessoas recorrem aos postos de saúde de Rio das Ostras a cada três meses em busca de tratamentos nas especialidades médicas de otorrinolaringologia e oftalmologia. De acordo com um munícipe diagnosticado com catarata no início deste ano em um dos postos de saúde da cidade, onde foi atendido, segundo ele, por médicos altamente capacitados, embora Rio das Ostras tenha profissionais qualificados prestando atendimento tantos nos PS quanto no hospital municipal, não possui em sua rede, uma equipe especializada em ambas as especialidades nem equipamentos para realizar tratamentos simples e complexos, e até mesmo a tão recorrida cirurgia de catarata, que precisa ser feita em outras unidades de saúde fora do município.

O problema começa justamente aí, após o diagnóstico. O ex-paciente de catarata, que prefere não dizer seu nome, diz que seu caso foi um entre cem. Após saber que precisaria submeter-se a uma cirurgia nas duas vistas, ele foi encaminhado para o Hospital Geral de Bonsucesso, através da secretaria municipal de Bem-Estar Social. Depois de ter sido operado, em julho, ele não parou mais de ir ao centro médico especializado em olhos do HGB, mas não mais para tratar de si e sim para levar os riostrenses que, assim com ele, sofriam de alguma complicação médica na vista, no nariz, no ouvido ou na garganta. Foi o caso do menino Jonathan Peres Conceição, de seis anos, que, depois de ser diagnosticado em Rio das Ostras com um sério problema nasal, foi levado ao HGB, acompanhado pela equipe de lá, e está com uma cirurgia marcada para os próximos dias.

Assim como Jonathan, muitos outros munícipes de diversas idades – há crianças de três anos até idosos de 80 -, precisando de atendimentos especializados em oftalmo e otorrino. Tentando encontrar uma alternativa para essas pessoas, o paciente que teve seu caso resolvido, segundo ele, por muita sorte, e que depois passou a ajudar outros enfermos, levando-os ao Rio para se tratarem, conta uma história triste para quem depende do sistema público de Saúde da cidade e espera tratamento através dele: “Depois que eu fui operado, comecei a voltar sempre ao Hospital Geral de Bonsucesso com mais encaminhamentos de pacientes de Rio das Ostras. No início de setembro, numa dessas visitas ao HGB, um dos médicos responsáveis pela equipe de tratamentos em olhos me questionou se o número de pessoas precisando de atendimento em Rio das Ostras era mesmo tão grande assim, pois, se fosse, ele estava disposto a conversar com nosso prefeito e secretário de Saúde para propor uma parceria para oferecer atendimento para esses munícipes”, disse o ex-paciente.

Prefeito não demonstrou interesse e secretário de Saúde não foi encontrado
Voltando da viagem, animado com a solução que estava prestes a ser dada ao problema dos pacientes que não conseguiam ser tratados no município, ele tentou conversar com o prefeito Carlos Augusto sobre a proposta feita pelo médico do HGB, mas o prefeito sem considerar a causa urgente, solicitou que ele contatasse seu segurança Vargas para tratar do assunto. “Retornei várias vezes para o telefone do segurança, mas estava sempre fora de área”, disse o munícipe. Depois de ter procurado o prefeito, ele foi ao secretário de Saúde, Sérgio Carvalho, com uma relação dos materiais que seriam necessários para as cirurgias de catarata no município. As mesmas demoram cerca de 20 a 30 minutos e seriam realizadas por uma equipe de 12 profissionais entre seis médicos e seis assistentes e enfermeiros vindos do HGB especialmente para o ‘mutirão’ em Rio das Ostras. A secretaria de Saúde ficaria responsável pelo suprimento desses materiais, pela remuneração dos profissionais e pelo fornecimento do colírio – único remédio necessário durante o pós-operatório, que não demora mais do que duas semanas – para os que se submetessem à cirurgia de catarata. Mas este encontro com o secretário de Saúde também não aconteceu. “Após três idas à secretaria e sem encontrá-lo, deixei, com sua esposa, o recado de que gostaria de conversar com o secretário sobre a questão desses pacientes, e que tinha uma proposta de parceria com um hospital federal para tratá-los. Porém, o secretário nunca retornou meu recado”, afirmou o munícipe.

De acordo o ex-paciente que hoje ajuda os munícipes que precisam da cirurgia de catarata em Rio das Ostras, falta vontade política do prefeito para resolver a questão. “Seria interessante o prefeito e o secretário, ou um deles, sentar com essa equipe médica do HGB para saber, pelo menos ouvir, qual a proposta eles têm para oferecer para o nosso município e para os pacientes daqui. Nossa estrutura hospitalar não tem a menor condição de atender essas pessoas. A única coisa que nossa prefeitura faz é disponibilizar um carro para levá-las ao Rio, para fazerem seus tratamentos, mais nada”, disse o munícipe.

Contatada para esclarecer tais fatos, a assessoria de comunicação da secretaria de Saúde de Rio das Ostras não soube informar o número de casos cirúrgicos do município com relação as duas especialidades; oftalmologia e otorrinolaringologia. Assim como, também, não soube dizer que tipo de atendimento recebem esses pacientes, e como funcionam os encaminhamentos para cirurgias em outros hospitais fora da cidade. Em um hospital particular, a cirurgia de catarata custa entre R$ 2 e R$ 5 mil.

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