Falta de infra-estrutura deixa moradores de Cidade Praiana embaixo d’água
Obras de saneamento e água, que deveriam ter começado em setembro ainda não foram iniciadas e comunidade sofre com alagamentos causados pela chuva
Obras de saneamento e água, que deveriam ter começado em setembro ainda não foram iniciadas e comunidade sofre com alagamentos causados pela chuva
Leonor Bianchi
Embora tenham sido largamente anunciadas pelo governo municipal, as obras de instalação das redes de tratamento de esgoto e distribuição de água ainda não começaram no bairro de Cidade Praiana. O resultado do atraso após as fortes chuvas que têm atingido a cidade nos últimos dois meses são ruas completamente alagadas, casas invadidas pela água que não pode ser escoada para um canal de águas pluviais e uma série de prejuízos causados aos moradores de Cidade Praiana.
Na semana passada, depois do temporal que deixou parte do bairro completamente alagado, moradores da rua Maranhão denunciaram ao jornal Tribuna de Rio das Ostras a indignação com o descaso do governo, que protela sem justificativas concretas o início das obras marcadas para setembro, através da milionária Parceria Público Privada feita este ano entre o município e a empresa Odebrecht.
Além da inundação de diversas ruas do bairro ainda não pavimentadas e que por não terem como drenar a água da chuva tornam-se verdadeiras piscinas naturais com água poluída - o que causa enormes transtornos a toda a comunidade local e àqueles que precisam ir ao bairro -, há no local iminente risco de proliferação de larvas do mosquito da dengue e de contaminação de pessoas, sobretudo de crianças, por doenças transmitidas pela urina de ratos – a leptospirose – entre outras, oriundas do contato com a água contaminada por coliformes fecais, que se mistura com a água da chuva.
De frente para este cenário está o aposentado Vanderlito Francisco de Assis e sua esposa Maria Dolores, que moram em Cidade Praiana desde 1999, e na última chuva enfrentaram a pior enchente desde então. Segundo ele, quando comprou o imóvel localizado na rua Maranhão, não havia alagamentos como hoje. “A prefeitura esteve fazendo umas obras aqui na rua e alteou mais em mais de 30 centímetros o nível da rua com colocação de brita, o que acabou prejudicando os moradores, que agora convivem freqüentemente com esse tipo de problema que você está vendo”, disse Seu Assis apontando para a água empoçada no chão da sala de sua casa.
Agora, o aposentado quer saber quando as obras prometidas pela prefeitura vão começar e, conseqüentemente, quando as inundações causadas pela falta de drenagem da água da chuva vão cessar. “O que aconteceu aqui em casa é um absurdo. Qualquer chuva que dá enche a rua, a água entra na cisterna e contamina a água que nós usamos. Outro dia chamamos a Defesa Civil para ver de perto o que estamos passando e eles simplesmente, após inspecionarem o terreno e a casa, disseram que nós temos que esperar, pois não há nada a ser feito no momento. Eles não têm equipamentos adequados de sucção para puxar a água acumulada no solo e também na cisterna. Estou esperando desde a última quarta-feira, dia 12, um caminhão que seria enviado por eles para tentar fazer esse serviço, mas até hoje o caminhão não veio para fazer a limpeza na minha cisterna”, comentou, indignado, o morador que paga cerca de R$ 200 de IPTU.
Seu Vanderlito também reclama da falta de capina e limpeza nas imediações da rua Maranhão. “Aqui perto tem uma casa abandonada que, além de ficar com o solo encharcado pela água da chuva, está com o mato muito alto, servindo de criadouro para o mosquito da dengue e viveiro para uma série de insetos e animais que transmitem doenças, como os ratos, por exemplo, que ‘passeiam’ tranquilamente de um lado para o outro aqui na rua.
Como medida paliativa para o problema das inundações dentro de sua casa e também na rua, Assis sugere que a prefeitura, antes mesmo de começar as obras de instalação das redes de esgoto e água, coloque um dreno no local para escoar a água da chuva para uma boca de lobo localizada na rodovia Amaral Peixoto. “Espero que o prefeito tenha a boa vontade de fazer logo esse melhoramento no bairro com as obras de água e esgoto, mas até lá, o que pode ser feito é tirar um pouco desse material que foi colocado na rua e fazer um caimento para que a água da chuva corra para a boca de lobo na Amaral Peixoto. Isto é viável e pode ser feito sem muitos contratempos para a prefeitura, creio”, disse o morador, que teve prejuízos materiais como a perda de mobiliários da casa com a enchente causada pela última chuva.
Quem também se sente prejudicado com o descaso da prefeitura relativo ao que vem acontecendo no bairro é Seu Romero Fernando, morador de Cidade Praiana há 12 anos. A fim de requisitar uma visita de técnicos da prefeitura em sua casa, também localizada na rua Maranhão, para que os profissionais avaliassem as conseqüências das chuvas fortes e pudessem estudar uma solução para os alagamentos constantes na rua, ele foi à secretaria de Urbanismo, Obras e Serviços Públicos, mas não conseguiu o retorno esperado. “Depois daquela primeira chuva forte, no mês retrasado quando muitos moradores de vários bairros, não só daqui de Cidade Praiana, sofreram com o alagamento de ruas e até dentro de suas casas, fui à secretaria de Obras para conversar com o secretário Villaça, mas ele não estava e acabei sendo recebido pelo Norberto. Fui reclamar da rua, sugerir que abrissem um canal para que a água da chuva fosse escoada. Lá, me mostraram um livro de reclamações e uma seqüência de várias obras que serão feitas através dessa PPP (Parceria Público Privada), que ninguém sabe até hoje o que é. Justificaram a falta de ação no bairro dizendo que a prefeitura está presa à Odebrecht e precisa acompanhar o cronograma das obras que estão planejadas. Além disso, fui informado de que prefeito estava viajando e apenas ele poderia decidir sobre uma possível obra aqui na rua Maranhão fora do tal cronograma da Odebrecht”, contou Romero.
As obras de instalação das redes de água e esgoto, que deveriam ter começado em Cidade Praiana desde setembro, segundo anúncio do governo municipal, devem ser iniciadas após a primeira quinzena de janeiro do próximo ano, segundo informações dadas ao morador Romero, quando de sua visita à secretaria de Urbanismo, Obras e Serviços Públicos. Enquanto isso, moradores esperam um retorno do prefeito Carlos Augusto para que uma ação emergencial para sanear os problemas causados pela ausência de um sistema adequado de escoamento das águas pluviais no bairro seja traçado.
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