Alteração no projeto de reurbanização da rua ainda não foi aprovada pela comunidade e pode atrasar ainda mais o início das obras
As boas notícias são poucas, mas existem, cada uma com sua relevância. Uma delas é que, finalmente, moradores dos bairros Parque São Jorge, antigo Ilha, Parque Zabulão e Liberdade vão ter acesso à cultura. A prefeitura de Rio das Ostras, através da secretaria de Comunicação Social, definiu que um dos locais de execução do projeto Cinema de Rua, que leva a arte cinematográfica para diversas localidades da cidade será a praça Gilson Zaour, em plena rua Bangu. A outra é que os moradores do Parque São Jorge contarão com uma nova linha de transporte coletivo, que passará a fazer o trajeto Palmital – Parque São Jorge a partir do próximo dia 20. A iniciativa da secretaria de Guarda e Trânsito, segundo o presidente da associação de moradores dos bairros Parque São Jorge, Parque Zabulão e Liberdade, Evilson dos Santos, vai melhorar bastante a qualidade de vida daquela comunidade. “Reconhecemos o empenho dos administradores neste sentido e agradecemos a implantação dessa nova linha, que vinha já vinha sendo solicitada pelos moradores”, disse.
Mas em ano de obras de reurbanização de uma das principais ruas dos entornos desses bairros - a rua Bangu - um dos mais importantes centros comerciais da cidade, Evilson diz que nem tudo são flores para os moradores e empreendedores locais. “As obras de implantação da rede de esgoto e de reurbanização da rua Bangu estavam marcadas para ter início em abril do ano passado, mas de acordo com o prefeito, o cronograma precisou ser adiado, e as obras só começarão depois do carnaval, ainda em fevereiro. Contudo, comerciantes e residentes da rua Bangu têm questionado alguns aspectos do projeto, que sofreu alterações”, comentou Evilson, explicando o teor de uma modificação feita na metragem das calçadas da rua por engenheiros e técnicos responsáveis pelo projeto, e que não agradou comerciantes e moradores da Bangu.
No ano passado, o líder comunitário solicitou ao prefeito Carlos Augusto e ao secretário de Urbanismo, Obras e Serviços Públicos, Paulo Villaça, que fizessem uma apresentação pública do projeto de reurbanização da rua Bangu. O objetivo era dar à comunidade interessada mais detalhes da obra e das soluções que seriam criadas para problemas antigos de serem solucionados na rua, como o tráfego intenso de ciclistas e a ausência de uma faixa exclusiva para bicicletas, e a questão dos estacionamentos de carros e de caminhões para carga e descarga de volumes, que freqüentemente circulam pela via dado o grande número de comércios que se estabeleceu ao longo de sua extensão.
O encontro, segundo o líder comunitário, aconteceu em clima ameno e até um vídeo e slides levados por representantes do poder público foram projetados em um telão para ilustrar e embasar o propósito da reunião. Porém, às vésperas do início das obras, a notícia de que consta do projeto uma modificação na medida estabelecida anteriormente para as calçadas da rua, gerou questionamento de quem vive no local. “Tenho muita preocupação com essa obra porque mesmo que seja para melhorar a qualidade de vida dos moradores e comerciantes, durante sua execução certamente enfrentaremos muito transtorno com a perfuração do asfalto, que precisará ser totalmente quebrado, com a presença das máquinas, com o ambiente causado por qualquer obra pública. Mas além disso o que está realmente preocupando a todos é a redução do tamanho das calçadas da rua Bangu, que serão reduzidas para 80 centímetros. Estamos percebendo que não há espaço para a ciclo-faixa criada para os ciclistas, prometida pelo prefeito, para a faixa de pedestres e para a plantação das cerca de 400 árvores, que farão parte do paisagismo da rua. Vejo muita dificuldade em estabelecer um tamanho padrão para as calçadas, pois a maioria das casas da rua têm marquises que avançam para a rua e, de acordo com o projeto, esses moradores terão que derrubar suas marquises. Esta é que está sendo a negociação entre os moradores, comerciantes e o prefeito, que terá que ter muito jogo de cintura para convencer a todos de que o modelo sugerido pelo projeto, com as calçadas de 80 centímetros é mais apropriado e vai realmente atender a necessidade do projeto”, disse Evilson dos Santos.
Ele considera positivos os benefícios que a reurbanização trará para a população em geral, principalmente para aqueles que vivem ou trabalham nela, mas aposta que os tradicionais e novos comerciantes da Bangu enfrentarão uma nova fase em seus comércios após as obras. Nova fase esta, que ele não arrisca a afirmar que seja boa, muito pelo contrário. Em sua concepção a falta de estacionamentos na rua Bangu – problema tão antigo quanto o da inserção na via de uma faixa exclusiva para ciclistas – continuará existindo, só que depois da reurbanização pode piorar e enfraquecer o movimento nos comércios locais. O que sustenta a afirmativa do presidente da associação de moradores é o fato de a rua não ter estacionamentos. As poucas vagas que foram criadas no projeto serão construídas em ruas transversais a Bangu, que não poderá mais ter, como há hoje, nenhum automóvel estacionado em sua pista esquerda.
Bangu e arredores sob efeito das chuvas de verão
Problema comum para moradores de bairros de diferentes regiões da cidade, os alagamentos causados pelas fortes chuvas de verão têm provocado estragos e prejuízos nos bairros Liberdade, Parque Zabulão e Parque São Jorge.
Evilson conta que na rua Bangu, só no trecho próximo à praça Gilson Zarour há 12 bueiros entupidos. “Em frente a um depósito de materiais de construção na altura do nº 1.300 da Bangu, vi muita gente chorando porque perdeu bens por causa da inundação da rua, provocada pela chuva”, disse Evilson, que apela ao poder público para solucionar o problema.
Outra rua também bastante atingida pelas chuvas, de acordo com Evilson, foi a rua A, em Liberdade. Na rua há um valão que escoa água para o canal de Medeiros, mas o mesmo encontra-se freqüentemente em estado de má conservação e com muito lixo. O líder comunitário admite que os próprios moradores não colaboram para a limpeza do valão, que transborda sempre que chove. “Apelo à população. É preciso que o povo tenha consciência ambiental e não jogue lixo nos bueiros, no valão, nos terrenos baldios. A população tem que colaborar. As pessoas precisam perceber que são atingidas pelas conseqüências geradas pela falta de educação ambiental”, disse Evilson.
Ele defende a colocação de manilhas no valão como a única maneira de solucionar o problema dos alagamentos. “O trabalho de limpeza do valão feito pela secretaria de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca é paliativo”, considera. O valão começa na rua A e vai até o bairro Nova Cidade; bairro que, segundo Evilson também sofre com os impactos gerados pelo valão”, disse.
Banheiros aguardam licitação
Evilson pede solução também para o antigo problema da construção de banheiros para moradores da rua Santa Ana, em Liberdade, onde 12 famílias aguardam a construção dos mesmos em suas residências pela prefeitura. Enquanto isso não ocorre os dejetos orgânicos são despejados in natura no rio das Ostras, gerando prejuízos incalculáveis para aquele habitat. A situação não deverá mudar logo depois da construção dos banheiros, revela Evilson, afirmando que o local não está incluído entre os que estão recebendo a rede de esgoto sanitário implantada na cidade.
O presidente da associação de moradores contou que esteve no departamento de Saneamento da prefeitura conversando com Aladin, responsável pelo setor. “Soube que o projeto já está pronto, só está faltando licitar. A prefeitura será responsável pela obra”, disse.
Parque São Jorge pede PS
O alto índice de natalidade registrado na localidade de Parque São Jorge evidencia o avanço populacional que o bairro vem tendo nos últimos anos. Em contrapartida, as ações de planejamento e organização do bairro em termos de infra-estrutura parecem não avançar na mesma proporção.
Os moradores do antigo bairro Ilha reclamam da falta de assistência médica no local. A construção de um posto de saúde, segundo Evilson dos Santos é uma reivindicação comunitária que começa a ganhar peso. Ele contou que os moradores estão organizando um abaixo assinado e esperam recolher 500 assinaturas no documento onde pedem a construção de um posto de saúde para atender a aproximadamente duas mil pessoas, sobretudo crianças e mulheres. O grande número de crianças que moram no local, segundo Evilson, por si só já justifica o apelo feito à prefeitura.
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