Pesquisa revela que período de natal e reveillon surpreendeu expectativa de movimentação no setor, que já vive o carnaval
Shows com artistas famosos, que estejam na mídia, uma boa programação cultural gratuita e de qualidade para toda a família, segurança, bons hotéis, restaurantes com excelentes serviços, e uma bela paisagem para contemplar e relaxar. Depois de um ano duro de compromissos e muito trabalho, tudo o que o brasileiro quer é fechar o apartamento na cidade e fugir para a serra ou para a praia em busca de tranqüilidade durante as festas de fim de ano. Festas que deságuam em férias. É verão, período de viagens e consumo.
E enquanto tanta gente se diverte há quem trabalhe. Afinal, o país não pode parar; muito pelo contrário. O verão é a época mais aguardada pela indústria brasileira do turismo, que gera centenas de novos postos de trabalho e arrecada milhões de reais todos os anos durante a alta temporada. Segundo a Assessoria de Comunicação do governo do Estado do Rio de Janeiro, o Carnaval tornou-se uma indústria milionária. Uma pesquisa realizada pela Secretaria de Estado de Trabalho revelou o total de gastos médios com a produção da maior festa da cidade. Só as escolas de samba costumam contratar cerca de 600 mil trabalhadores, que atuam diretamente na produção da festa. Pelos cálculos menos otimistas, os gastos gerais diretos podem atingir mais de R$ 750 milhões, dos quais aproximadamente R$ 200 milhões destinam-se ao pagamento de mão-de-obra.
Em Rio das Ostras, guardadas as proporções entre os destinos turísticos (Rio de Janeiro e Rio das Ostras), que, aliás, são incomparáveis, principalmente considerando-se o volume de negócios que ambos geram durante o verão e o Carnaval, o repasse feito pela prefeitura aos blocos carnavalescos e escolas de samba da cidade foi de R$ 120.000,00, este ano. O destinado pelo poder público para a festa profana foi de R$ 180.000,00.
Já a geração de empregos diretos e indiretos também ganhou vigor em Rio das Ostras, segundo empresários locais. Entretanto não foram realizadas pesquisas mais aprofundadas no município, que visassem aferir os índices de crescimento do número de empregos durante o período.
Ainda segundo a Assessoria de Comunicação do governo do Estado, a temporada de verão, que vai de dezembro a março, deve atrair na cidade do Rio, de acordo com estimativas oficiais, cerca de 2,5 milhões de turistas. A receita gerada no período é de aproximadamente US$ 1,8 bilhão. Só no carnaval, a expectativa é de que a cidade receba em torno de 700 mil turistas, gerando uma receita de mais de US$ 500 milhões. A rede hoteleira espera repetir no carnaval a mesma performance do réveillon, quando a ocupação ultrapassou os 90%.
Rio das Ostras fora do circuito
Os levantamentos anunciados pela Assessoria do governo do Estado, ainda mostram que, no interior, a expectativa de ocupação da rede hoteleira, de acordo com sondagem da TurisRio nas principais cidades turísticas do Estado, é de 95% a 100%. Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, na Região Serrana; Paraty e Angra dos Reis, na Costa Verde; Cabo Frio, Armação dos Búzios e Arraial do Cabo, na Costa do Sol (Região dos Lagos); Itatiaia e Resende com os distritos de Penedo e Visconde de Mauá, na Região das Agulhas Negras, são os locais mais procurados no interior.
Essas cidades esperam plena ocupação de seus hotéis e pousadas. Há ainda a temporada 2007-2008 de cruzeiros marítimos, que está trazendo 40 transatlânticos. Iniciada em outubro, ela se encerrará em abril. No total, 154 embarcações atracarão no píer da Praça Mauá, com um movimento de quase 300 mil passageiros.
Fora do circuito dos transatlânticos e precisando angariar turistas que circulam pela região ou que vêm da capital, Rio das Ostras investiu este ano no ‘festival de verão’, com shows musicais no camping de Costazul. De dia, criou um projeto de lambaeróbica promovido sem muito sucesso na esvaziada Lagoa de Iriry.
Em pleno carnaval, a notícia de que o verão 2008 pode ser um dos mais promissores dos últimos três anos para o comércio riostrense anima os investidores locais. A repercussão surgiu depois que consultores da Associação Comercial e Industrial de Rio das Ostras (ACIRO) analisaram o resultado de uma pesquisa feita pela entidade após o reveillon, para saber como foi o fluxo de negócios no comércio local durante o período. Ao todo, cerca de 150 comerciantes (entre associados e não associados à ACIRO) de diferentes bairros da cidade responderam se acharam o movimento bom, muito bom, regular, ruim ou igual ao mesmo período de 2006.
Para 25,8% dos entrevistados, o período foi bom; para 32,26%, muito bom; 9,68% dos entrevistados consideraram o período regular; 16,13% consideraram o período ruim; e os que não perceberam avanço nas vendas com relação ao mesmo período de 2006 somaram, também, 16,13%.
Segundo o consultor da ACIRO, Erasmo Lopes, o resultado da pesquisa surpreendeu. Embora o levantamento não tenha sido feito no final de 2006, o que impossibilita uma análise comparativa mais precisa com o desempenho do comércio no mesmo período de 2007, os resultados apontados pela pesquisa revelam melhor desempenho do setor entre o natal e o ano novo neste ano. “A resposta foi gratificante. Pensamos que o avanço do comércio nesse período seria menor, mas felizmente o resultado da pesquisa mostrou que ele foi melhor do que o esperado”, disse o consultor.
A pesquisa abrangeu todo o município e não apenas os comércios da rodovia Amaral Peixoto. Micro e médios empresários dos setores de prestação de serviço, hotelaria, lojas de materiais elétricos e de construção, de pinturas, bares e restaurantes de diversos bairros foram entrevistados. A opinião de empresários de diferentes localidades, segundo Erasmo, ajudou a interpretar o resultado aferido pela pesquisa e mostrou que houve homogeneidade entre opiniões de empresários de ramos distintos, sediados em bairros diferentes.
Carnaval não é medidor para o comércio
O consultor Erasmo Lopes fez questão de frisar que a pesquisa feita pela ACIRO teve um diferencial estratégico. “Entrevistamos associados e não associados, mas evidentemente, nossa meta para este ano é alavancar a associação comercial e fazer com que ela se expanda, tendo maior número de associados, o que gera aumento da arrecadação da entidade e propicia o desenvolvimento de ações para os comerciantes. Ações de desenvolvimento técnico e profissional no comércio, na indústria e no setor de prestação de serviços”, frisou.
Segundo Lopes, diferentemente dos turistas, sobretudo os estrangeiros, que visitam a capital do Estado para consumir no carnaval, quem vem para Rio das Ostras neste feriadão, busca apenas diversão. “As pessoas vêm para Rio das Ostras se divertir no carnaval e não têm objetivo de permanecer na cidade mais tempo, de efetuar gastos mais volumosos no comércio local. Carnaval é uma festa popular. As pessoas vêm para cá para se divertir e não, consumir”, observou o consultor.
Ainda assim, para empresários do setor hoteleiro da cidade, o carnaval pode fechar um período de bons números num verão de muita chuva. Para o proprietário da pousada Girassol em Costazul, o carnaval é esperado com expectativa de ocupação plena. Dimas Furtado, dono da pousada Girassol, disse não ter sido entrevistado pela ACIRO, mas sim pela secretaria de Turismo, Indústria e Comércio de Rio das Ostras, que lhe telefonou para saber detalhes da ocupação na pousada durante as festas de final de ano. Garantindo que o fluxo foi bom, ele espera que no carnaval a casa esteja cheia novamente. “Pelo que vi na minha pousada, penso que o resultado da pesquisa da ACIRO, que aponta crescimento para o comércio local no ano novo, esteja realmente mostrando uma realidade. Resultado que, inclusive, nós, empresários do município, já esperávamos, pois estamos trabalhando para isso”, disse Dimas. Indagado sobre sua avaliação para a infra-estrutura no bairro e na cidade durante este verão, Dimas disse que a prefeitura está deixando a desejar no abastecimento de água, no bairro. “Precisamos ter infra-estrutura para receber os turistas, e mesmo Costazul sendo um dos cartões postais da cidade, até agora não temos água”, disse o empresário.
Faltam ações direcionadas para o desenvolvimento pleno do turismo
Investir mais no desenvolvimento e promoção da indústria do turismo, planejando ações estratégicas. Para o consultor da ACIRO, Erasmo Lopes é o que Rio das Ostras precisa efetivamente. Em sua concepção pessoal (ele fez questão de ressaltar que não falaria em nome da associação com relação ao assunto), o turismo ainda é a grande vocação econômica do município. “Porém é preciso que se faça um trabalho mais eficiente na área de turismo, em Rio das Ostras. É preciso que haja planejamento estratégico para o turismo e que sejam criados novos produtos turísticos na cidade. Se chove no verão, os turistas ficam praticamente sem opção de lazer. Para citar um exemplo, a ACIRO já enviou uma carta à secretaria de Turismo questionando o fato de uma cidade turística como a nossa ter o seu Parque Municipal fechado aos fins de semana e a Casa de Cultura e o Parque dos Pássaros fechados aos domingos. Estas seriam as atrações naturais que a cidade teria para receber os turistas para visitação independentemente de sol, de praia. Além disso, debatemos, não é de agora, as estratégias de divulgação das atrações turísticas promovidas na cidade, não só durante o verão. “Mesmo sabendo que existem questões técnicas para que a programação seja fechada com a antecedência necessária para uma excelente divulgação, é necessário que se trabalhe com uma agenda mínima de atrações, para que dê tempo da mesma ser vendida pelos empresários da cidade aos seus clientes”, argumentou o consultor.
Verão sem lei
Rio das Ostras vive um dos verões mais violentos dos últimos anos. Apenas em janeiro, três homicídios foram registrados em apenas uma semana. Antes da inauguração da Delegacia Legal, a antiga 128ª, em Costazul, foram registradas 145 ocorrências de naturezas diversas entre o natal e o ano novo. Pelo fato de não possuir um sistema informatizado, com programas capazes de realizar estatísticas, ou quadros comparativos entre as ocorrências de cada região da cidade, não é possível chegar aos números da violência durante as festas de final de ano, em Rio das Ostras.
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