Leonor Bianchi*
O discurso oficial sobre a atual situação do audiovisual em Rio das Ostras
Mostra de cinema promovida pela prefeitura ganha mais recursos, atrai público insignificante, e exclui do Encontro Estadual de Entidades do Audiovisual representantes de iniciativas locais que atuam no setor
A última edição da Mostra Rio das Ostras de Cinema aconteceu em dezembro de 2006. No fim da tarde de uma sexta-feira quente, de férias para alguns, a pequena parcela de moradores da cidade que aprecia a sétima arte e alguns convidados, assistiram a exibição de filmes produzidos em oficinas de vídeo realizadas na cidade alguns meses antes da mostra. Se não me falha a memória, na noite de abertura do evento não foi exibido nenhum longa-metragem, mas no dia seguinte, Intervalo Clandestino, de Érik Rocha foi à tela. O filme estava no auge de sua distribuição entre os circuitos alternativos e chegou a ser exibido na Mostra Cinema Popular Brasileiro, em São Pedro da Serra, Nova Friburgo, uma semana antes daquela tarde quente de dezembro na Avenida Amazonas, em Rio das Ostras. Contei com a ajuda e produção da amiga Diana Iliescu para a liberação de uma cópia do filme, que foi concedida pelo próprio Érik, para a mostra que faço desde 2004 lá na serra friburguense.
Naquele ano, a II Mostra Cinema Popular Brasileiro, exatamente uma semana antes da de Rio das Ostras fez uma singela homenagem a um grande cineasta brasileiro, que não apenas Rio das Ostras, mas o mundo perdeu recentemente. Convidado às pressas pela produção da II Mostra de Rio das Ostras, que simplesmente esqueceu de relacionar um de seus filmes na programação do evento, o cineasta Roland Henze compareceu e prestigiou a todos com sua presença no Teatro Popular de Rio das Ostras em uma de suas últimas aparições em eventos dedicados à arte cinematográfica.
Henze comentou, assim como fizera em São Pedro da Serra, alguns de seus curtas mais conhecidos e premiados, como o filme A Lavagem do Cristo, de 1968, que o fez ganhar a Coruja de Ouro do extinto Instituto Nacional de Cinema e teve algumas cenas introduzidas no documentário realizado em 2005 pela cineasta Bel Noronha sobre a verdadeira história da edificação da estátua mais famosa do Rio de Janeiro, que no ano passado foi inserida na lista das novas maravilhas do mundo moderno.
Após a aparição em ambas as mostras, o cinema de Roland Henze foi relembrado em circuitos cineclubistas no Rio de Janeiro e seu nome circulou em muitas listas online de debate sobre cinema. Creio que tenha sido mais que uma homenagem. Talvez, quem sabe, o reconhecimento (ainda em tempo) vindo de gerações que conheceram pouco o trabalho do filho de alemães nascido em Nova Friburgo, cuja produção inclui desde filmes institucionais e peças televisivas em redes internacionais, curtas-metragens de alto teor poético e técnico e dobradinhas em longas com mestres como Nelson Pereira dos Santos e Paulo Thiago. Novos realizadores que, como se diz por aí, estão antenados, abertos e preparados para absorver e processar novas influências souberam aproveitar a oportunidade. Ao menos isso...
Quando organizei a curadoria da I Mostra do Filme Ambiental e Etnográfico de Rio das Ostras, realizada em novembro do ano passado no Pólo Universitário de Rio das Ostras (PURO), três curtas do diretor foram programados; dentre eles, O Grito do Rio, documentário realizado em 1978, no qual Henze denuncia a poluição de um dos principais rios da região das Baixadas Litorâneas; o São João, por despejo de vinhoto (subproduto da cana de açúcar) por uma usina de álcool anidro instalada em Barra de São João, distrito de Casimiro de Abreu, estado do Rio de Janeiro.
Não esquecendo daqueles que muito nos ensinaram, mas voltando à Mostra Rio das Ostras de Cinema, este ano sem homenagens a cineastas e sim a duas novas produtoras: a Urca Filmes e a Hy Brazil – a mostra ampliou o número de filmes apresentados, inseriu títulos infantis na programação e ampliou seu circuito exibidor com sessões no Cine Estação de Rocha Leão. Com novo calendário, a terceira edição do evento está sendo realizada entre os dias 11 e 27 deste mês. A permanência das sessões no espaço do Teatro Popular, com seus 280 lugares (incluindo os extras) engrandece o evento. Contudo, a introdução do Cine Estação Rocha Leão no circuito exibidor da mostra - espaço público, bem equipado, mas quase nunca utilizado, mantido pela Fundação Rio das Ostras de Cultura - foi uma excelente iniciativa.
Reformado em 2006, o prédio da antiga estação de trem de Rocha Leão guarda documentos e objetos que ajudam a compor a história do município. Levar a mostra para lá foi uma idéia pertinente, que, além de dar novo gás ao evento, incentiva a utilização do Centro Ferroviário de Cultura Guilherme Nogueira pela população local e sua visitação por turistas. No prédio também funciona o Museu do Trem. A ação justifica a real finalidade de existir do ‘espaço cultural’, que é, fundamentalmente, promover a difusão cultural de forma gratuita à população.
Quem está ‘antenado’ percebeu o amadurecimento do evento e o aumento dos investimentos feitos pela prefeitura em sua produção. Incrementos não só para a produção das exibições como também para a oficina de vídeo digital, que pela primeira vez acontece dentro do evento, prometendo ser o grande filão do evento. A exibição do curta-metragem realizado durante a oficina será feita no último dia da mostra. Amos aguardar. O grupo que organiza a mostra já executou outra oficina de vídeo na cidade em 2005 e agora inseriu a atividade no calendário do evento; uma atividade interessante para atrair público e quem sabe, revelar novos talentos locais na produção audiovisual.
Ainda na mostra oficial da prefeitura - a III Mostra Rio das Ostras de Cinema – um encontro com entidades de classe vai debater a atual situação do audiovisual fluminense. Desde sua primeira edição, a mostra tem uma marca significativa; tratar, para além apenas da exibição, da cadeia produtiva do cinema, ou seja, da indústria do cinema e as políticas do setor. Pelo fato de seus organizadores estarem envolvidos diretamente com órgãos de fomento à atividade cinematográfica e com a criação de políticas audiovisuais (que vem sendo debatidas e construídas a duras penas no Brasil), a Mostra Rio das Ostras de Cinema acabou ganhando um forte apelo político. A cada nova edição, seus idealizadores trazem para Rio das Ostras personalidades que articulam políticas de produção, distribuição e exibição de materiais audiovisuais no estado do Rio, com a finalidade (deveria ser esta a finalidade, mas é) de discutir novas estratégias e ações para o setor.
Circuito oficial segrega iniciativa independente
Este ano volta a acontecer durante a mostra o Encontro Estadual de Entidades do Audiovisual, que terá presença de representantes da ASCINE-RJ, da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas do Rio de Janeiro, da Associação Brasileira de Cineastas, do Sindicato dos Técnicos da Indústria Cinematográfica, da Secretaria de Estado de Cultura e do Conselho Estadual de Cultura.
Mesmo com tanta expressão e respaldo de instituições com selos legitimados em sua lista de convidados, a mostra de cinema patrocinada pela prefeitura através da Fundação Rio das Ostras de Cultura perdeu seu foco, tornando-se um encontro de amigos que gostam de fazer e exibir cinema. Entrevistado por mim na noite de abertura da mostra, um de seus curadores, Dario Goulart, disse conhecer de maneira fragmentada outros movimentos de difusão audiovisual que acontecem no município, e não conseguiu justificar a ausência de representantes desses movimentos na relação dos convidados para o debate público sobre a atual situação do audiovisual fluminense promovida pela mostra no Encontro Estadual de Entidades Fluminenses. Goulart afirmou que os organizadores da mostra conhecem esses movimentos independentes feitos em Rio das Ostras, mas foi veemente em seguir as orientações que recebeu ‘de seus superiores’ para não mencionar tais iniciativas em suas declarações à imprensa. Estranhei, até porque o próprio curador, em outra ocasião, sugeriu-me intensa participação em encontros semelhantes (mesmo não sendo eu representante de nenhuma entidade oficial) em tais mesas de debate, defendendo que, para opinar, é preciso estar inserido na discussão.
Como uma os organizadores de uma mostra de cinema feita com suporte da prefeitura, com coordenação de tanta gente que conhece de perto os meandros da política audiovisual não se interessa em chamar para discussão movimentos locais de fomento à produção e a exibição de cinema? Bem, se o oficial evita o diálogo com o não oficial, o jeito é continuar falando de fora. E deste ângulo, percebe-se que há uma grande centralização de forças e de poder, uma grande ação entre amigos que agem unidos, atropelando valores éticos e democráticos, cujos mesmos utilizam para embasar seus discursos ensaiados, oportunistas, versáteis.
Nessa contramão para o cinema brasileiro e para o público – creio que seja ele o mais prejudicado – o que percebe-se (de fora) é que falta amor e respeito ao cinema nacional. São muitas luzes, muitos refletores. Penso que isso deva ofuscar a visão de alguns pequenos produtores, que varrem o que estiver a sua frente para captarem os recursos financeiros de que demandam suas pequenas produções ambiciosas em nível pessoal e pouco transformadoras em nível coletivo.
A verdadeira missão se perde no meio do caminho e o que era para ser uma festa do cinema e do povo do cinema torna-se uma pândega intimista, partilhada e repartida entre poucos, que nem se quer sabem o que é Rio das Ostras e quem mora nesta cidade. Talvez falte mesmo amor ao povo brasileiro, só pode ser, pois usar dinheiro público sem finalidade, ou melhor, em finalidade própria, é muita omissão.
* Leonor Bianchi é jornalista. Há cinco anos organiza a Mostra Cinema Popular Brasileiro, no distrito de São Pedro da Serra, em Nova Friburgo. Em 2007, produziu a I Mostra do Filme Ambiental e Etnográfico de Rio das Ostras com apoio do Pólo Universitário de Rio das Ostras (PURO), tendo suscitado quando da iniciativa da mesma a implantação de um acervo multimeios na universidade para uso público de interessados de toda a região.
Mostra de cinema promovida pela prefeitura ganha mais recursos, atrai público insignificante, e exclui do Encontro Estadual de Entidades do Audiovisual representantes de iniciativas locais que atuam no setor
A última edição da Mostra Rio das Ostras de Cinema aconteceu em dezembro de 2006. No fim da tarde de uma sexta-feira quente, de férias para alguns, a pequena parcela de moradores da cidade que aprecia a sétima arte e alguns convidados, assistiram a exibição de filmes produzidos em oficinas de vídeo realizadas na cidade alguns meses antes da mostra. Se não me falha a memória, na noite de abertura do evento não foi exibido nenhum longa-metragem, mas no dia seguinte, Intervalo Clandestino, de Érik Rocha foi à tela. O filme estava no auge de sua distribuição entre os circuitos alternativos e chegou a ser exibido na Mostra Cinema Popular Brasileiro, em São Pedro da Serra, Nova Friburgo, uma semana antes daquela tarde quente de dezembro na Avenida Amazonas, em Rio das Ostras. Contei com a ajuda e produção da amiga Diana Iliescu para a liberação de uma cópia do filme, que foi concedida pelo próprio Érik, para a mostra que faço desde 2004 lá na serra friburguense.
Naquele ano, a II Mostra Cinema Popular Brasileiro, exatamente uma semana antes da de Rio das Ostras fez uma singela homenagem a um grande cineasta brasileiro, que não apenas Rio das Ostras, mas o mundo perdeu recentemente. Convidado às pressas pela produção da II Mostra de Rio das Ostras, que simplesmente esqueceu de relacionar um de seus filmes na programação do evento, o cineasta Roland Henze compareceu e prestigiou a todos com sua presença no Teatro Popular de Rio das Ostras em uma de suas últimas aparições em eventos dedicados à arte cinematográfica.
Henze comentou, assim como fizera em São Pedro da Serra, alguns de seus curtas mais conhecidos e premiados, como o filme A Lavagem do Cristo, de 1968, que o fez ganhar a Coruja de Ouro do extinto Instituto Nacional de Cinema e teve algumas cenas introduzidas no documentário realizado em 2005 pela cineasta Bel Noronha sobre a verdadeira história da edificação da estátua mais famosa do Rio de Janeiro, que no ano passado foi inserida na lista das novas maravilhas do mundo moderno.
Após a aparição em ambas as mostras, o cinema de Roland Henze foi relembrado em circuitos cineclubistas no Rio de Janeiro e seu nome circulou em muitas listas online de debate sobre cinema. Creio que tenha sido mais que uma homenagem. Talvez, quem sabe, o reconhecimento (ainda em tempo) vindo de gerações que conheceram pouco o trabalho do filho de alemães nascido em Nova Friburgo, cuja produção inclui desde filmes institucionais e peças televisivas em redes internacionais, curtas-metragens de alto teor poético e técnico e dobradinhas em longas com mestres como Nelson Pereira dos Santos e Paulo Thiago. Novos realizadores que, como se diz por aí, estão antenados, abertos e preparados para absorver e processar novas influências souberam aproveitar a oportunidade. Ao menos isso...
Quando organizei a curadoria da I Mostra do Filme Ambiental e Etnográfico de Rio das Ostras, realizada em novembro do ano passado no Pólo Universitário de Rio das Ostras (PURO), três curtas do diretor foram programados; dentre eles, O Grito do Rio, documentário realizado em 1978, no qual Henze denuncia a poluição de um dos principais rios da região das Baixadas Litorâneas; o São João, por despejo de vinhoto (subproduto da cana de açúcar) por uma usina de álcool anidro instalada em Barra de São João, distrito de Casimiro de Abreu, estado do Rio de Janeiro.
Não esquecendo daqueles que muito nos ensinaram, mas voltando à Mostra Rio das Ostras de Cinema, este ano sem homenagens a cineastas e sim a duas novas produtoras: a Urca Filmes e a Hy Brazil – a mostra ampliou o número de filmes apresentados, inseriu títulos infantis na programação e ampliou seu circuito exibidor com sessões no Cine Estação de Rocha Leão. Com novo calendário, a terceira edição do evento está sendo realizada entre os dias 11 e 27 deste mês. A permanência das sessões no espaço do Teatro Popular, com seus 280 lugares (incluindo os extras) engrandece o evento. Contudo, a introdução do Cine Estação Rocha Leão no circuito exibidor da mostra - espaço público, bem equipado, mas quase nunca utilizado, mantido pela Fundação Rio das Ostras de Cultura - foi uma excelente iniciativa.
Reformado em 2006, o prédio da antiga estação de trem de Rocha Leão guarda documentos e objetos que ajudam a compor a história do município. Levar a mostra para lá foi uma idéia pertinente, que, além de dar novo gás ao evento, incentiva a utilização do Centro Ferroviário de Cultura Guilherme Nogueira pela população local e sua visitação por turistas. No prédio também funciona o Museu do Trem. A ação justifica a real finalidade de existir do ‘espaço cultural’, que é, fundamentalmente, promover a difusão cultural de forma gratuita à população.
Quem está ‘antenado’ percebeu o amadurecimento do evento e o aumento dos investimentos feitos pela prefeitura em sua produção. Incrementos não só para a produção das exibições como também para a oficina de vídeo digital, que pela primeira vez acontece dentro do evento, prometendo ser o grande filão do evento. A exibição do curta-metragem realizado durante a oficina será feita no último dia da mostra. Amos aguardar. O grupo que organiza a mostra já executou outra oficina de vídeo na cidade em 2005 e agora inseriu a atividade no calendário do evento; uma atividade interessante para atrair público e quem sabe, revelar novos talentos locais na produção audiovisual.
Ainda na mostra oficial da prefeitura - a III Mostra Rio das Ostras de Cinema – um encontro com entidades de classe vai debater a atual situação do audiovisual fluminense. Desde sua primeira edição, a mostra tem uma marca significativa; tratar, para além apenas da exibição, da cadeia produtiva do cinema, ou seja, da indústria do cinema e as políticas do setor. Pelo fato de seus organizadores estarem envolvidos diretamente com órgãos de fomento à atividade cinematográfica e com a criação de políticas audiovisuais (que vem sendo debatidas e construídas a duras penas no Brasil), a Mostra Rio das Ostras de Cinema acabou ganhando um forte apelo político. A cada nova edição, seus idealizadores trazem para Rio das Ostras personalidades que articulam políticas de produção, distribuição e exibição de materiais audiovisuais no estado do Rio, com a finalidade (deveria ser esta a finalidade, mas é) de discutir novas estratégias e ações para o setor.
Circuito oficial segrega iniciativa independente
Este ano volta a acontecer durante a mostra o Encontro Estadual de Entidades do Audiovisual, que terá presença de representantes da ASCINE-RJ, da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas do Rio de Janeiro, da Associação Brasileira de Cineastas, do Sindicato dos Técnicos da Indústria Cinematográfica, da Secretaria de Estado de Cultura e do Conselho Estadual de Cultura.
Mesmo com tanta expressão e respaldo de instituições com selos legitimados em sua lista de convidados, a mostra de cinema patrocinada pela prefeitura através da Fundação Rio das Ostras de Cultura perdeu seu foco, tornando-se um encontro de amigos que gostam de fazer e exibir cinema. Entrevistado por mim na noite de abertura da mostra, um de seus curadores, Dario Goulart, disse conhecer de maneira fragmentada outros movimentos de difusão audiovisual que acontecem no município, e não conseguiu justificar a ausência de representantes desses movimentos na relação dos convidados para o debate público sobre a atual situação do audiovisual fluminense promovida pela mostra no Encontro Estadual de Entidades Fluminenses. Goulart afirmou que os organizadores da mostra conhecem esses movimentos independentes feitos em Rio das Ostras, mas foi veemente em seguir as orientações que recebeu ‘de seus superiores’ para não mencionar tais iniciativas em suas declarações à imprensa. Estranhei, até porque o próprio curador, em outra ocasião, sugeriu-me intensa participação em encontros semelhantes (mesmo não sendo eu representante de nenhuma entidade oficial) em tais mesas de debate, defendendo que, para opinar, é preciso estar inserido na discussão.
Como uma os organizadores de uma mostra de cinema feita com suporte da prefeitura, com coordenação de tanta gente que conhece de perto os meandros da política audiovisual não se interessa em chamar para discussão movimentos locais de fomento à produção e a exibição de cinema? Bem, se o oficial evita o diálogo com o não oficial, o jeito é continuar falando de fora. E deste ângulo, percebe-se que há uma grande centralização de forças e de poder, uma grande ação entre amigos que agem unidos, atropelando valores éticos e democráticos, cujos mesmos utilizam para embasar seus discursos ensaiados, oportunistas, versáteis.
Nessa contramão para o cinema brasileiro e para o público – creio que seja ele o mais prejudicado – o que percebe-se (de fora) é que falta amor e respeito ao cinema nacional. São muitas luzes, muitos refletores. Penso que isso deva ofuscar a visão de alguns pequenos produtores, que varrem o que estiver a sua frente para captarem os recursos financeiros de que demandam suas pequenas produções ambiciosas em nível pessoal e pouco transformadoras em nível coletivo.
A verdadeira missão se perde no meio do caminho e o que era para ser uma festa do cinema e do povo do cinema torna-se uma pândega intimista, partilhada e repartida entre poucos, que nem se quer sabem o que é Rio das Ostras e quem mora nesta cidade. Talvez falte mesmo amor ao povo brasileiro, só pode ser, pois usar dinheiro público sem finalidade, ou melhor, em finalidade própria, é muita omissão.
* Leonor Bianchi é jornalista. Há cinco anos organiza a Mostra Cinema Popular Brasileiro, no distrito de São Pedro da Serra, em Nova Friburgo. Em 2007, produziu a I Mostra do Filme Ambiental e Etnográfico de Rio das Ostras com apoio do Pólo Universitário de Rio das Ostras (PURO), tendo suscitado quando da iniciativa da mesma a implantação de um acervo multimeios na universidade para uso público de interessados de toda a região.
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