Leonor Bianchi
Em Brasília, Franklin ao menos justifica
Em Rio das Ostras, Luiz Mello, nem isso
Em Rio das Ostras, Luiz Mello, nem isso
Deu no blog do Ricardo Noblat (http://oglobo.globo.com/pais/noblat/ ) outro dia: “Lula não fala a sites e blogs”. Não é só o presidente que nega-se a conversar com a imprensa. São casos diferentes, mas guardadas as proporções... em Rio das Ostras, seja o veículo digital ou um semanário impresso, se não for oficial, não recebe nenhuma atenção e respeito do prefeito da cidade. Como nunca foi muito de ficar chuchando os assessores para conseguir exclusivas de gabinete depois do expediente, um colega contou que fez questão apenas de uma exclusiva com o prefeito Carlos Augusto, que após muitas remarcações, foi concedida e finalmente publicada no jornal para o qual escrevia à época. Houve jornalista em Rio das Ostras, que depois de três anos reportando à população local as ações da prefeitura através das matérias que publicava em um jornal diário do qual era correspondente no município, que foi ‘exonerado’ do cargo a pedido do prefeito por estar escrevendo também para um semanário local, tido como opositor.
Depois da manobra desonesta e covarde, além de ficar sem o arroz com feijão, o jornalista ficou sem comunicação
alguma com o prefeito e seus secretários de governo, assim como com os demais funcionários da prefeitura, os quais durante o tempo em que atuou no ‘veículo permitido’ serviram-lhe de fontes importantes para a elaboração de muitas reportagens. Mesmo solicitando profissionalmente e cordialmente ao secretário de Comunicação Social, Luis Mello, informações e esclarecimentos de representantes do governo, para complementar e substanciar as matérias que continuou produzindo para outros veículos, que não mais aquele chapa-branca, o profissional não tem recebido sequer um e-mail do responsável pela pasta ou de um dos jornalistas de sua equipe como retorno.
Pede-se mais respeito com os profissionais da classe, que tentam trabalhar apoiados nos princípios da ética e nada tem a ver com disputas políticas. Negar-se a falar com a imprensa não significa desrespeito a este ou aquele veículo, a este ou aquele editor, a esta ou aquela empresa, a este ou aquele jornalista. Significa desrespeito ao cidadão, que não consegue acessar os ‘verdadeiros’ desdobramentos dos fatos, geralmente, em sua maioria, distorcidos pela prática da manipulação da informação aplicada pelos que estão no exercício do poder.
Em Brasília, as entrevistas coletivas dadas pelo presidente à imprensa nacional são cada vez mais raras. Os encontros regrados de Lula com os veículos de comunicação são altamente técnicos e apenas 14 jornalistas credenciados no Palácio do Planalto podem fazer perguntas ao presidente durante as coletivas; atualmente mediadas pelo secretário de Comunicação Social, ou de Imprensa (isto está uma bagunça!) do governo federal, Franklin Martins. Será que em Rio das Ostras a moda pega e alguns profissionais da imprensa podem ficar descredenciados?
Lá em Brasília, Franklin fez questão de enfatizar em conversa com profissionais do setor, que o presidente vai expandir seu diálogo com a imprensa nacional e intensificar os encontros com jornalistas em entrevistas coletivas e exclusivas. Lula estaria voltado para a uma nova estratégia de comunicação: reverter a imagem de um presidente mudo à imprensa, que marcou seu primeiro mandato.
Em Rio das Ostras, pode-se considerar que a primeira entrevista coletiva dada à imprensa local, este ano, e que contaria com a presença do prefeito Carlos Augusto, que não apareceu, aconteceu forçosamente, quando o governo já não tinha mais como não dar uma explicação pública a respeito do esvaziamento da Lagoa de Iriry, em janeiro. Incrivelmente, para esta pândega o jornalista ‘exonerado’ foi convidado, mas apenas através de um e-mail e não mais por ligações telefônicas remetidas diretamente da secretaria de Comunicação Social. A última ligação que recebeu de lá foi no final do ano passado. O convite: evento de final de ano promovido pela prefeitura com pompas e luzes num hotel cinco estrelas da cidade, com o argumento de apresentar os resultados dos trabalhos desenvolvidos naquele ano e apresentar o plano de governo para este ano. O governo deve achar que jornalista se alimenta de pequenos coquetéis promovidos em recepções bregas, só pode ser.Algo não vai bem se a comunicação entre poder público e sociedade é falha, truncada, escassa, e quando existe é manipulada, distorcida, camuflada. Poderíamos considerar que há um mascaramento dos fatos ou falta de interesse do próprio gestor público em tornar pública a coisa pública.
Espera-se que a imprensa tenha em Rio das Ostras liberdade para atuar durante o período de disputa eleitoral que se aproxima. A imprensa propõe um debate de qualidade sobre as questões públicas e não por um diálogo frágil com a administração municipal, cercado por ameaças.
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