10 fevereiro 2008

Rugendas no Rio



Obras do pintor alemão, Johan Moritz Rugendas (1802-1858), que retratou o Brasil durante a expição coordenada pelo Cônsul-geral da Rússia, Barão de Langsdorff, em 1821, poderão ser apreciadas na exposição "Runedas: um olhar inaugural", a partir desta terça-feira, no Centro Cultural da Justiça Federal. A exposição, que terá 50 litogravuras, faz parte das comemorações aos 200 anos da chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil.


A passagem de Rugendas pelo Brasil foi marcante. Morou por dois anos no Rio de Janeiro, na casa do Barão Marschall. Depois de se desentender com o chefe da expedição, Rugendas abandonou o projeto oficial e passou a viajar sozinho. Voltou à Europa em 1825, levando 500 desenhos e cerca de 70 quadros. Depois disso, visitou vários países das Américas, e retornou ao Brasil em 1845, depois de sua estada no Chile. Permaneceu no Brasil por mais um ano e, após passar por Salvador e Recife, voltou à Europa.


Livros


A América de Rugendas
"A abrangência temática de sua obra tem características enciclopédicas e, segundo as palavras do próprio artista, seu projeto consistia em tornar o mundo americano conhecido na Europa. O obra de Rugendas é pioneira na medida em que apreende a geografia de forma integral, observando tanto a topografia quanto os detalhes da vida vegetal, animal e humana próprias de cada região. Em todos os países que visitou, Rugendas não limitou-se apenas a uma visão global de viajante circunstancial, mas também engajou-se e logrou "ver do interior" a vida das jovens sociedades americanas. Daí que seus desenhos nos oferecem um valioso conteúdo histórico, rico em detalhes, abrangendo um horizonte amplo e que não se esgota numa informação pontual ou anedótica.



Os estudos apresentados em A América de Rugendas revelam novas facetas e documentos sobre a vida e a obra do artista-viajante. Em particular trazem-nos à tona pormenores dos seus primeiros contatos com o Brasil, assim como, através de obras recém-descobertas e aqui pela primeira vez publicadas (inéditas mundialmente, até então), revelam o desenvolvimento de sua recepção da América" (Maria de Fátima Costa e Pablo Diener).


Viagem Pitoresca Através do Brasil
Dentre os estrangeiros ilustres, que ligaram para sempre seu nome ao Brasil, não podia deixar de figurar, em primeiro plano, o grande artista alemão Rugendas, que viajou a esmo por nossas terras e fixou em talvez meio milhar de pranchas, cenas de nossa vida e nossos costumes. Conhece-se pouco sobre a vida de Rugendas. Sabe-se que era de uma família de artistas, tendo como mestre seu próprio pai. Já devia ter certo renome na Alemanha, pois com menos de 30 anos foi convidado a integrar, como desenhista, a missão Langsdorff. Ao que tudo indica, desentendeu-se com o chefe e pôs-se a viajar por conta própria. Não fez propriamente uma descrição de sua viagem, mas um longo estudo geral sobre as condições do Brasil, com muitas observações pertinentes, e algumas idéias obscuras e erradas. Em compensação, ai estão as pranchas, nada obscuras, e de valor inestimável. (Fonte: Site Submarino)


Obras furtadas da Biblioteca Mário de Andrade ainda não foram encontradas
Em setembro de 2006, 58 gravuras do artista foram roubadas da biblioteca Mário de Andradde, em São Paulo. A quadrilha, que atuava roubando obras de arte em diversos estados brasileiros para vender o material para a Europa, Estados Unidos e Argentina, foi presa no Rio de Janeiro, em setembro do ano passado. Na operação da Polícia Federal, foram recuparedas algumas litogravuras de Rugendas, roubadas da biblioteca Mário de Andrade, mas a maioria das obras furtadas ainda estão desaparecidas.


Indico a leitura da pesquisa acadêmica de Iohana Brito de Freitas sobre o assunto

Associação Nacional de História – ANPUH XXIV SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA - 2007

Construindo o Outro: Categorias de Identificação nas Viagens Pitorescas de Jean Baptiste Debret e Johann Moritz Rugendas

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