À beira da falência, Viação Rio das Ostras está com os serviços paralisados e o futuro é incerto para muitos funcionários
Leonor Bianchi
Leonor Bianchi
Atuando há 20 anos em Rio das Ostras oferecendo transporte coletivo para os moradores da cidade, quando esta ainda era distrito de Casimiro de Abreu, a antiga Viação Leão Dourado, hoje Viação Rio das Ostras, pede ajuda ao governo municipal para não fechar as portas.
Esta semana, funcionários da empresa procuraram o jornal Tribuna de Rio das Ostras para denunciar o estado de abandono em que a empresa se encontra e a total falta de respeito dos proprietários da mesma para com seus funcionários, que estão com salários e benefícios trabalhistas atrasados há anos. A dívida total da empresa com folha de pagamento, tributos, fornecedores, taxas de vistorias do DETRO, taxas de sindicatos, entre outras despesas, gira em torno de R$ 4 milhões, valor equivalente ao patrimônio da empresa, segundo o gerente administrativo da viação, Edson Martins.
Segundo Martins, os problemas da viação não são de hoje. A decadência começou há alguns anos quando a Macaense detinha boa parte do mercado de transporte na cidade. A Auto Viação 1001, sofrendo com a pressão da concorrente lançou uma proposta de sociedade para a viação, na época ainda Leão Dourado, com o objetivo de acabar paulatinamente com a Macaense para então poder comprá-la. Como a Leão Dourado tinha, e tem até hoje, algumas linhas com o mesmo itinerário que a Macaense, a aposta no novo negócio era de sucesso garantido para os novos sócios. Dessas linhas em comum, Rio das Ostras – Casimiro de Abreu, Barra de São João – Casimiro de Abreu, Casimiro de Abreu – Rio das Ostras (via Verão Vermelho), a Viação Rio das Ostras funcionava com apenas duas quando interrompeu suas atividades na última segunda-feira à tarde. Barra de São João – Casimiro de Abreu, uma delas, já não estava sendo feita por causa de problemas relacionados à entrada da linha em Casimiro de Abreu, ocasionada pelo excesso de vans que fazem o transporte na cidade.
- Casimiro não tem uma secretaria especifica para cuidar do transporte urbano, que está dentro da secretaria de Fazenda. O que acontece é que o subsistema de transporte urbano, que deveria ser complementar, tornou-se o principal meio de transporte das pessoas, e não há espaço para mais uma linha da viação Rio das Ostras dentro do município. Hoje há seis vans circulando nessa linha contra dois ônibus da viação Rio das Ostras, que rodavam no mesmo itinerário.
O gerente administrativo diz que a viação só é importante para a prefeitura quando transporta estudantes e idosos, os mais prejudicados com a paralisação das atividades da empresa.
Para Martins, a falência da empresa foi uma estratégia bem arquitetada entre seus sócios, que na época em que compraram a Leão Dourado fizeram promessas de melhores salários – hoje os 41 funcionários recebem um salário menor que o mínimo, o que é inconstitucional – frota renovada, e uma série de melhorias para a empresa e empregados. Nada aconteceu.
- A 1001 comprou a Viação Leão Dourado simplesmente para atrapalhar a Macaense. Os compradores sabiam que a Macaense enfrentava dificuldade financeira e que, quanto mais eles atrapalhassem a empresa, mais fácil ficaria para comprarem o negócio. O que acabou acontecendo. A 1001 conseguiu comprar a Macaense.
Depois disso, os administradores da 1001 ignoraram a viação, que desde então passou a contabilizar débitos homéricos com a falta de recursos para a manutenção da frota e até mesmo para a remuneração dos cerca de 300 funcionários que chegou a ter. O pátio de 500 metros quadrados no Recanto, por onde já passaram os 78 carros da empresa; hoje um galpão vazio, tem
apenas sete ônibus (um é micro ônibus) estacionados. De acordo com Martins, quando ele entrou na empresa, havia dezenas de vistorias do DETRO e DETRAN atrasadas, que precisavam ser quitadas.
A estratégia resultou no seguinte esquema: algumas linhas que a Macaense não fazia na época passaram a ser feitas pela Viação Leão Dourado, já com o nome de Viação Rio das Ostras. Macaé – Cabo Frio, Macaé – Rio Bonito e a linha de Búzios. As linhas não existem mais na empresa, passaram a ser feitas pela Macaense.
Já numa outra transação, empresários de Belo Horizonte teriam se associado à empresa, mas como relata Martins, os novos proprietários da viação também só ajudaram a afundar ainda mais o negócio.
- Em maio de 2006, quando o então proprietário da empresa, Amauri de Andrade, (empresário da 1001) anunciou a venda da viação Rio das Ostras, dois empresários de Minas Gerais aparecem para comprar o negócio. Essas pessoas apareciam aqui esporadicamente, ficavam um, dois dias hospedados no hotel mais caro da cidade, e voltavam de avião para Belo Horizonte. Isso tudo às custas da empresa, que não tinha fundos para tanto. Até que ele não apareceram mais. Antes disso, levaram seis veículos daqui para serem vendidos em Minas, dizendo que trariam cinco carros novos para Rio das Ostras, mas nunca trouxeram. A intenção deles era vender o pátio da empresa, deixar os funcionários abandonados e irem embora, mas nós descobrimos isso a tempo.
Gestores tentam diálogo com prefeito, que não os recebe
Não amparados juridicamente nem por nenhum sindicato, Martins conta que uma junta de funcionários orientada por ele está tentando conversar com o prefeito Carlos Augusto sobre a política do transporte urbano na cidade, mas não estão tendo retorno do chefe do executivo.
- Já tivemos encontros com pessoas da Guarda, com o secretário, coronel Sérgio Pinto, e com o Narciso, que nos receberam de forma bastante cordial e se comprometeram a ajudar no diálogo com o prefeito. Mas parece que eles também não estão conseguindo intervir para que este encontro aconteça. Já perdi a conta de quantas vezes liguei para a secretária dele, a Fabiana, tentando agendar esse encontro com o prefeito, mas ele nunca tem tempo para nos receber. Queremos apenas conversar sobre o controle das vans nas linhas da empresa. Hoje, por exemplo, temos quatro ônibus rodando na linha Rio das Ostras – Casimiro de Abreu, e oito vans competindo com nossos passageiros. Precisaríamos de apoio. Não financeiro e sim de um controle maior das vans dentro dessas linhas. Não temos nada a dizer com relação ao trabalho feito pelas kombis porque sabemos que elas vão onde os ônibus não podem ir. Para atendermos nessas linhas que as kombis atendem, precisaríamos fazer isto com micro ônibus, e hoje não há interesse da empresa em prestar este serviço, até mesmo pela falta de recursos financeiros disponíveis para aquisição de frota, por exemplo.
Utilidade pública
Estudantes e idosos sabem o transtorno que é para se locomoverem na cidade se dependerem do transporte coletivo oferecido pelo subsistema de transporte urbano de Rio das Ostras. A quantidade expressiva de kombis circulando na cidade e que só têm ajudado a piorar o fluxo da onda verde na principal avenida da de Rio das Ostras, por incrível que possa parecer, ainda não é suficiente para atender com presteza a esses públicos.
Por determinação legal, 20% dos lugares do carro, seja van ou kombi, devem ser destinados a passe gratuito, mas geralmente os motoristas não respeitam a lei, e pelo caminho, deixam debaixo de chuva, de sol, idosos e estudantes. Gente que fica no ponto de ônibus e acaba recorrendo à viação Ri das Ostras, segundo Martins. Ele contou que a linha que sai de Cantagalo chega a transportar 60 estudantes diariamente.
- Sabemos como funciona a coisa. Ninguém quer dar espaço para idoso e estudante. Não é só em Casimiro que isso acontece. Aqui em Rio das Ostras, se não fosse a empresa, não sei como essas pessoas iriam se locomover.
Empresa já teve contrato de transporte escolar municipal
Durante os dois mandatos do ex-prefeito de Rio das Ostras, segundo Martins, a Viação Rio das Ostras foi contratada para fazer o transporte dos estudantes do ensino fundamental e dos universitários do município.
Na época, 20 carros eram utilizados, mas com o passar do tempo, com a não renovação da frota e ausência de investimentos na modernização dos carros e também da melhoria do serviço prestado, o contrato acabou não sendo renovado em 2005, primeiro ano do governo atual. Nesse ano, a empresa Vontur foi ganhou uma licitação para ser a prestadora de serviço de transporte escolar em Rio das Ostras.
Esta semana, funcionários da empresa procuraram o jornal Tribuna de Rio das Ostras para denunciar o estado de abandono em que a empresa se encontra e a total falta de respeito dos proprietários da mesma para com seus funcionários, que estão com salários e benefícios trabalhistas atrasados há anos. A dívida total da empresa com folha de pagamento, tributos, fornecedores, taxas de vistorias do DETRO, taxas de sindicatos, entre outras despesas, gira em torno de R$ 4 milhões, valor equivalente ao patrimônio da empresa, segundo o gerente administrativo da viação, Edson Martins.
Segundo Martins, os problemas da viação não são de hoje. A decadência começou há alguns anos quando a Macaense detinha boa parte do mercado de transporte na cidade. A Auto Viação 1001, sofrendo com a pressão da concorrente lançou uma proposta de sociedade para a viação, na época ainda Leão Dourado, com o objetivo de acabar paulatinamente com a Macaense para então poder comprá-la. Como a Leão Dourado tinha, e tem até hoje, algumas linhas com o mesmo itinerário que a Macaense, a aposta no novo negócio era de sucesso garantido para os novos sócios. Dessas linhas em comum, Rio das Ostras – Casimiro de Abreu, Barra de São João – Casimiro de Abreu, Casimiro de Abreu – Rio das Ostras (via Verão Vermelho), a Viação Rio das Ostras funcionava com apenas duas quando interrompeu suas atividades na última segunda-feira à tarde. Barra de São João – Casimiro de Abreu, uma delas, já não estava sendo feita por causa de problemas relacionados à entrada da linha em Casimiro de Abreu, ocasionada pelo excesso de vans que fazem o transporte na cidade.
- Casimiro não tem uma secretaria especifica para cuidar do transporte urbano, que está dentro da secretaria de Fazenda. O que acontece é que o subsistema de transporte urbano, que deveria ser complementar, tornou-se o principal meio de transporte das pessoas, e não há espaço para mais uma linha da viação Rio das Ostras dentro do município. Hoje há seis vans circulando nessa linha contra dois ônibus da viação Rio das Ostras, que rodavam no mesmo itinerário.
O gerente administrativo diz que a viação só é importante para a prefeitura quando transporta estudantes e idosos, os mais prejudicados com a paralisação das atividades da empresa.
Para Martins, a falência da empresa foi uma estratégia bem arquitetada entre seus sócios, que na época em que compraram a Leão Dourado fizeram promessas de melhores salários – hoje os 41 funcionários recebem um salário menor que o mínimo, o que é inconstitucional – frota renovada, e uma série de melhorias para a empresa e empregados. Nada aconteceu.
- A 1001 comprou a Viação Leão Dourado simplesmente para atrapalhar a Macaense. Os compradores sabiam que a Macaense enfrentava dificuldade financeira e que, quanto mais eles atrapalhassem a empresa, mais fácil ficaria para comprarem o negócio. O que acabou acontecendo. A 1001 conseguiu comprar a Macaense.
Depois disso, os administradores da 1001 ignoraram a viação, que desde então passou a contabilizar débitos homéricos com a falta de recursos para a manutenção da frota e até mesmo para a remuneração dos cerca de 300 funcionários que chegou a ter. O pátio de 500 metros quadrados no Recanto, por onde já passaram os 78 carros da empresa; hoje um galpão vazio, tem
A estratégia resultou no seguinte esquema: algumas linhas que a Macaense não fazia na época passaram a ser feitas pela Viação Leão Dourado, já com o nome de Viação Rio das Ostras. Macaé – Cabo Frio, Macaé – Rio Bonito e a linha de Búzios. As linhas não existem mais na empresa, passaram a ser feitas pela Macaense.
Já numa outra transação, empresários de Belo Horizonte teriam se associado à empresa, mas como relata Martins, os novos proprietários da viação também só ajudaram a afundar ainda mais o negócio.
- Em maio de 2006, quando o então proprietário da empresa, Amauri de Andrade, (empresário da 1001) anunciou a venda da viação Rio das Ostras, dois empresários de Minas Gerais aparecem para comprar o negócio. Essas pessoas apareciam aqui esporadicamente, ficavam um, dois dias hospedados no hotel mais caro da cidade, e voltavam de avião para Belo Horizonte. Isso tudo às custas da empresa, que não tinha fundos para tanto. Até que ele não apareceram mais. Antes disso, levaram seis veículos daqui para serem vendidos em Minas, dizendo que trariam cinco carros novos para Rio das Ostras, mas nunca trouxeram. A intenção deles era vender o pátio da empresa, deixar os funcionários abandonados e irem embora, mas nós descobrimos isso a tempo.
Gestores tentam diálogo com prefeito, que não os recebe
Não amparados juridicamente nem por nenhum sindicato, Martins conta que uma junta de funcionários orientada por ele está tentando conversar com o prefeito Carlos Augusto sobre a política do transporte urbano na cidade, mas não estão tendo retorno do chefe do executivo.
- Já tivemos encontros com pessoas da Guarda, com o secretário, coronel Sérgio Pinto, e com o Narciso, que nos receberam de forma bastante cordial e se comprometeram a ajudar no diálogo com o prefeito. Mas parece que eles também não estão conseguindo intervir para que este encontro aconteça. Já perdi a conta de quantas vezes liguei para a secretária dele, a Fabiana, tentando agendar esse encontro com o prefeito, mas ele nunca tem tempo para nos receber. Queremos apenas conversar sobre o controle das vans nas linhas da empresa. Hoje, por exemplo, temos quatro ônibus rodando na linha Rio das Ostras – Casimiro de Abreu, e oito vans competindo com nossos passageiros. Precisaríamos de apoio. Não financeiro e sim de um controle maior das vans dentro dessas linhas. Não temos nada a dizer com relação ao trabalho feito pelas kombis porque sabemos que elas vão onde os ônibus não podem ir. Para atendermos nessas linhas que as kombis atendem, precisaríamos fazer isto com micro ônibus, e hoje não há interesse da empresa em prestar este serviço, até mesmo pela falta de recursos financeiros disponíveis para aquisição de frota, por exemplo.
Utilidade pública
Estudantes e idosos sabem o transtorno que é para se locomoverem na cidade se dependerem do transporte coletivo oferecido pelo subsistema de transporte urbano de Rio das Ostras. A quantidade expressiva de kombis circulando na cidade e que só têm ajudado a piorar o fluxo da onda verde na principal avenida da de Rio das Ostras, por incrível que possa parecer, ainda não é suficiente para atender com presteza a esses públicos.
Por determinação legal, 20% dos lugares do carro, seja van ou kombi, devem ser destinados a passe gratuito, mas geralmente os motoristas não respeitam a lei, e pelo caminho, deixam debaixo de chuva, de sol, idosos e estudantes. Gente que fica no ponto de ônibus e acaba recorrendo à viação Ri das Ostras, segundo Martins. Ele contou que a linha que sai de Cantagalo chega a transportar 60 estudantes diariamente.
- Sabemos como funciona a coisa. Ninguém quer dar espaço para idoso e estudante. Não é só em Casimiro que isso acontece. Aqui em Rio das Ostras, se não fosse a empresa, não sei como essas pessoas iriam se locomover.
Empresa já teve contrato de transporte escolar municipal
Durante os dois mandatos do ex-prefeito de Rio das Ostras, segundo Martins, a Viação Rio das Ostras foi contratada para fazer o transporte dos estudantes do ensino fundamental e dos universitários do município.
Na época, 20 carros eram utilizados, mas com o passar do tempo, com a não renovação da frota e ausência de investimentos na modernização dos carros e também da melhoria do serviço prestado, o contrato acabou não sendo renovado em 2005, primeiro ano do governo atual. Nesse ano, a empresa Vontur foi ganhou uma licitação para ser a prestadora de serviço de transporte escolar em Rio das Ostras.
Publicado em 07/03/08 no impresso semanal Tribuna de Rio das Ostras
Um comentário:
É o mercado Léo... A Prefeitura não deve se meter nisso... Dinheiro público para salvar empresa privada? A vida é assim mesmo...Ajoelhou tem que rezar! Uma saída, talvez. fosse a criação de uma Empresa Pública de Transportes Urbanos... Concurso e pronto, daríamos a oportunidade a esses funcionários de se colocarem novamente.
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