08 março 2008

No RJ, presidente luso defende projeção global da lusofonia

Paulo Alves Nogueira
Agência Lusa
Rio de Janeiro, 7 mar (Lusa) - O presidente português, Aníbal Cavaco Silva (foto), em visita ao Rio de Janeiro, defendeu nesta sexta-feira que a lusofonia deve ser "um espaço dinâmico de trocas intelectuais e de produção conjunta de conhecimento, com projeção e voz própria na chamada aldeia de global".
Portugal e Brasil "têm uma língua em comum, partilhada com outros seis estados independentes. Integram, assim, um imenso espaço de comunicação e de cultura, com múltiplas possibilidades que, porventura, ainda não soubemos explorar o quanto deveríamos", disse Cavaco Silva, no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, do qual se tornou presidente honorário nesta sexta.
"Estou certo de que saberemos encontrar processos inovadores de cooperação que contribuam para o progresso econômico, social e cultural que ambicionamos para as nossas sociedades", frisou o governante luso, acrescentando que a comunidade internacional "olha com as maiores expectativas para o Brasil" e que Portugal, "Estado-membro da União Européia e nação moderna e politicamente estável", dá "garantias seguras e promissoras aos investidores".
Cavaco Silva defendeu também que o aprofundamento das relações entre Portugal e o Brasil é vantajoso para os dois países e para os espaços regionais que integram - a União Européia e o Mercosul." Todos estes fatores, ao mesmo tempo em que nos unem e fortalecem as tradicionais relações amistosas entre os nossos países, constituem uma base de diálogo privilegiada e de possível cooperação na cena internacional", reforçou o chefe de Estado português." Estou certo de que Portugal e o Brasil têm uma contribuição importante a dar para a construção de um mundo mais pacífico e mais justo", afirmou ainda o presidente luso.
Em resposta, o presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Arno Wenlimg, destacou que Portugal e Brasil "podem cooperar para benefício comum e dos espaços em que se inserem", destacando ser vantajoso que os demais países lusófonos também se aproximem. Em discurso sobre a globalização e as relações entre Portugal e Brasil, Cavaco Silva defendeu ainda a necessidade de "contrariar as desigualdades gritantes na distribuição da riqueza e garantir a segurança e a estabilidade", sublinhando que "os governos e as organizações responsáveis" precisam procurar soluções para "integrar ativamente a pressão dos fluxos migratórios causados pela globalização". O líder português destacou também a necessidade de "combater a escalada de atentados contra meio-ambiente que, se não for travada, poderá comprometer a vida nas próximas gerações e colocar em sérios riscos o planeta".
Cavaco Silva está no Rio de Janeiro desde quinta-feira, a convite do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, para participar das comemorações dos 200 anos da chegada da corte portuguesa à cidade, em 8 de março de 1808.

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