Leonor Bianchi
Estratégia política tenta apagar imagem de ex-prefeito e as realizações de sua gestão da memória social do povo riostrense
Quem conhece Rio das Ostras há pelo menos 10 anos presenciou as transformações que o município sofreu não só em termos urbanísticos, mas em nível social e econômico. Moradores antigos e veranistas da cidade apontam o período pós-emancipação, mais precisamente o início do mandato do ex-prefeito Sabino, como sendo o grande divisor de águas na história do município. Foi nesse tempo, que Rio das Ostras passou a receber participação especial e royalties do petróleo produzido na Bacia de Campos, e que as iniciativas públicas tiveram maior vulto na cidade, tendo sido construídas entre os dois mandatos do ex-prefeito (1997 – 2004), obras importantes para o desenvolvimento da cidade e para a melhoria da qualidade de vida de seu povo. Dentre as mais significativas estão as do hospital municipal, do pronto-socorro, do centro de reabilitação, do teatro, do centro de Formação Artística, da escola de fundição, da nova sede da prefeitura, de vários postos de saúde, de escolas e creches, entre outras.
Embora não tenham sido realizadas no mandato de Sabino, outras obras importantes para a cidade foram licitadas durante seu último mandato, como a de distribuição de água, de reurbanização da rodovia Amaral Peixoto (incluindo a orla da praia da Tartaruga), da nova ponte sobre o rio das Ostras, assim como a obra de implantação do sistema de esgotamento sanitário (incluindo a finalização da Estação de Tratamento de Esgoto de Jardim Mariléa, e a do Emissário Submarino). Outra obra; a da nova ponte sobre o rio que nomeia a cidade, tornou-se símbolo do atual governo e seu desenho arquitetônico passou a ser a nova logomarca do município, substituindo o barquinho (logomarca anterior), que ainda está estampado em placas de logradouros e mobiliário público (como lixeiras e tampas de bueiros, por exemplo).
A licença ambiental para a construção da nova ponte sobre o rio das Ostras, assim como a de implantação do sistema de esgotamento sanitário, a do aterro sanitário de Vila Verde, e a das obras de reurbanização das praias da Tartaruga e Abricó, foram expedidas ainda em 2004 pela Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema). O projeto Água para todos, talvez o mais vendido pelo atual governo como sendo de sua gestão - perdendo apenas para o de saneamento básico - também não é de sua autoria. Em 2002, dois anos antes do atual prefeito assumir o governo, Sabino já havia sacramentado o convênio para a viabilização da obra entre a prefeitura e a empresa responsável pelo fornecimento de água no Estado, a Companhia Estadual de Águas e Esgoto (CEDAE). Na mesma relação, encontra-se ainda o projeto de reurbanização da praia da Tartaruga, apresentado pelo ex-prefeito em fevereiro de 2003, e que está sendo executado agora.
Quem conhece Rio das Ostras há pelo menos 10 anos presenciou as transformações que o município sofreu não só em termos urbanísticos, mas em nível social e econômico. Moradores antigos e veranistas da cidade apontam o período pós-emancipação, mais precisamente o início do mandato do ex-prefeito Sabino, como sendo o grande divisor de águas na história do município. Foi nesse tempo, que Rio das Ostras passou a receber participação especial e royalties do petróleo produzido na Bacia de Campos, e que as iniciativas públicas tiveram maior vulto na cidade, tendo sido construídas entre os dois mandatos do ex-prefeito (1997 – 2004), obras importantes para o desenvolvimento da cidade e para a melhoria da qualidade de vida de seu povo. Dentre as mais significativas estão as do hospital municipal, do pronto-socorro, do centro de reabilitação, do teatro, do centro de Formação Artística, da escola de fundição, da nova sede da prefeitura, de vários postos de saúde, de escolas e creches, entre outras.
Embora não tenham sido realizadas no mandato de Sabino, outras obras importantes para a cidade foram licitadas durante seu último mandato, como a de distribuição de água, de reurbanização da rodovia Amaral Peixoto (incluindo a orla da praia da Tartaruga), da nova ponte sobre o rio das Ostras, assim como a obra de implantação do sistema de esgotamento sanitário (incluindo a finalização da Estação de Tratamento de Esgoto de Jardim Mariléa, e a do Emissário Submarino). Outra obra; a da nova ponte sobre o rio que nomeia a cidade, tornou-se símbolo do atual governo e seu desenho arquitetônico passou a ser a nova logomarca do município, substituindo o barquinho (logomarca anterior), que ainda está estampado em placas de logradouros e mobiliário público (como lixeiras e tampas de bueiros, por exemplo).
A licença ambiental para a construção da nova ponte sobre o rio das Ostras, assim como a de implantação do sistema de esgotamento sanitário, a do aterro sanitário de Vila Verde, e a das obras de reurbanização das praias da Tartaruga e Abricó, foram expedidas ainda em 2004 pela Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema). O projeto Água para todos, talvez o mais vendido pelo atual governo como sendo de sua gestão - perdendo apenas para o de saneamento básico - também não é de sua autoria. Em 2002, dois anos antes do atual prefeito assumir o governo, Sabino já havia sacramentado o convênio para a viabilização da obra entre a prefeitura e a empresa responsável pelo fornecimento de água no Estado, a Companhia Estadual de Águas e Esgoto (CEDAE). Na mesma relação, encontra-se ainda o projeto de reurbanização da praia da Tartaruga, apresentado pelo ex-prefeito em fevereiro de 2003, e que está sendo executado agora.
O efeito bumerangue de uma estratégia errada
Ao contrário da expectativa que desejou criar no (novo) morador de Rio das Ostras, com a estratégia de fundar um símbolo mais moderno, arrojado e futurista para ‘vender’ a cidade, a empresa que trabalha o marketing político do atual governo se esqueceu que, apagar o símbolo do barco do imaginário popular dos moradores e turistas, nada mais é do que negar as raízes culturais do povo da cidade, calcadas na cultura da pesca, que tem como maior ícone senão o próprio mar, as imagens do barco, da traineira, da antiga jangada, e do pescador.
Além disso, sendo Rio das Ostras uma cidade turística na Costa do Sol, seriam justamente suas belezas naturais, como lagoas, rios e praias - seus principais atrativos -que deveriam estar retratadas nos folhetos e peças publicitárias que promovem o município. Esse conceito foi substituído. A fixação de um monumento ao concreto – a nova ponte sobre o rio das Ostras -, que seria uma ode ao desenvolvimentismo, à metrópole, impôs-se em seu lugar. Simplesmente tudo o que o turista quer esquecer quando busca entretenimento, tranqüilidade e descanso ao visitar um balneário como Rio das Ostras. Contraditoriamente a este raciocínio, o secretário de Comunicação Social do município, Luiz Fernando Mello, argumentou, quando da inauguração da nova ponte sobre o rio das Ostras, em março do ano passado, que “as instituições atuais buscam símbolos visuais para marcar os valores que desejam transmitir, e com a escolha da nova ponte, Rio das Ostras associa seu nome a idéia de desenvolvimento com base sólida”. É claro que o turista quer encontrar uma cidade com infra-estrutura para recebê-lo, com rede de distribuição de água, saneamento básico, ruas limpas e segurança. Mas, além disso, é sabido, também, que o turista anseia por distanciar-se de tudo o que for referente aos grandes centros e ao cotidiano urbano durante sua viagem. Considerando-se esta breve observação, a nova estratégia aplicada pelo marketing do governo ainda pode render frutos desfavoráveis para o fluxo de um turismo de alto nível em Rio das Ostras.
Ao contrário da expectativa que desejou criar no (novo) morador de Rio das Ostras, com a estratégia de fundar um símbolo mais moderno, arrojado e futurista para ‘vender’ a cidade, a empresa que trabalha o marketing político do atual governo se esqueceu que, apagar o símbolo do barco do imaginário popular dos moradores e turistas, nada mais é do que negar as raízes culturais do povo da cidade, calcadas na cultura da pesca, que tem como maior ícone senão o próprio mar, as imagens do barco, da traineira, da antiga jangada, e do pescador.
Além disso, sendo Rio das Ostras uma cidade turística na Costa do Sol, seriam justamente suas belezas naturais, como lagoas, rios e praias - seus principais atrativos -que deveriam estar retratadas nos folhetos e peças publicitárias que promovem o município. Esse conceito foi substituído. A fixação de um monumento ao concreto – a nova ponte sobre o rio das Ostras -, que seria uma ode ao desenvolvimentismo, à metrópole, impôs-se em seu lugar. Simplesmente tudo o que o turista quer esquecer quando busca entretenimento, tranqüilidade e descanso ao visitar um balneário como Rio das Ostras. Contraditoriamente a este raciocínio, o secretário de Comunicação Social do município, Luiz Fernando Mello, argumentou, quando da inauguração da nova ponte sobre o rio das Ostras, em março do ano passado, que “as instituições atuais buscam símbolos visuais para marcar os valores que desejam transmitir, e com a escolha da nova ponte, Rio das Ostras associa seu nome a idéia de desenvolvimento com base sólida”. É claro que o turista quer encontrar uma cidade com infra-estrutura para recebê-lo, com rede de distribuição de água, saneamento básico, ruas limpas e segurança. Mas, além disso, é sabido, também, que o turista anseia por distanciar-se de tudo o que for referente aos grandes centros e ao cotidiano urbano durante sua viagem. Considerando-se esta breve observação, a nova estratégia aplicada pelo marketing do governo ainda pode render frutos desfavoráveis para o fluxo de um turismo de alto nível em Rio das Ostras.
A construção da imagem do rei
Mesmo partindo do pressuposto de que a pedra fundamental para conseguir prestígio, popularidade e respeito da população de Rio das Ostras residiria no apagamento da memória social do povo riostrense, Carlos Augusto, ainda que não escondendo seu rompimento político com o ex-prefeito Sabino - seu antecessor e principal aliado em sua campanha eleitoral de 2004 - está executando as obras deixadas no papel pela antiga administração.
Se houve continuidade na realização de projetos licitados pela gestão anterior, o mesmo bom senso não foi aplicado à manutenção da identidade do governo, que vinha sendo construída há oito anos. Identidade desconstruida pelo atual governo, produzida e direcionada para uma mídia viciada em sobreviver da comercialização de simulacros, mas, sobretudo, e, fundamentalmente, uma identidade nova, que deve ser incutida no inconsciente do munícipe. Essa identidade é formulada através de práticas que inscrevem na mem
ória coletiva dos riostrenses, signos e símbolos, cujas referências não são encontradas no cerne da cultura local.
Mesmo partindo do pressuposto de que a pedra fundamental para conseguir prestígio, popularidade e respeito da população de Rio das Ostras residiria no apagamento da memória social do povo riostrense, Carlos Augusto, ainda que não escondendo seu rompimento político com o ex-prefeito Sabino - seu antecessor e principal aliado em sua campanha eleitoral de 2004 - está executando as obras deixadas no papel pela antiga administração.
Se houve continuidade na realização de projetos licitados pela gestão anterior, o mesmo bom senso não foi aplicado à manutenção da identidade do governo, que vinha sendo construída há oito anos. Identidade desconstruida pelo atual governo, produzida e direcionada para uma mídia viciada em sobreviver da comercialização de simulacros, mas, sobretudo, e, fundamentalmente, uma identidade nova, que deve ser incutida no inconsciente do munícipe. Essa identidade é formulada através de práticas que inscrevem na mem
Com essa nova prática, o governo reelabora códigos e valores, sobretudo os ligados à arqueologia e cultura do lugar, a todo o seu cenário natural e, principalmente, a seu povo. A extração de diversas placas de obras públicas colocadas quando de suas inaugurações na gestão anterior configuram a inépcia dos ‘marqueteiros’ responsáveis pela imagem do prefeito atual. Nada mais representativo para uma gestão administrativa do que as importantes obras públicas que nela foram realizadas. Assim como nada mais fiel a essa representação do que a permanência dessa obra simbolizada através de uma placa de bronze, datando o ano em que ela foi entregue ao cidadão.
Em Santa Cruz do Pardo, interior de São Paulo, um caso semelhante chamou a atenção. Como noticiou um jornal local, “os prefeitos da cidade parecem não se importar em anular a memória de administradores passados. Placas alusivas a inaugurações são trocadas após reformas e, em alguns casos, são simplesmente retiradas, sem substituição. Não há legislação sobre o tema na Lei Orgânica do Município.Um exemplo recente da alteração da memória de Santa Cruz foi a instalação de placa alusiva à reconstrução da ponte Benedito Cardoso (a ponte do Chafariz). Na ocasião da reinauguração da ponte, derrubada por chuvas
em janeiro de 2005 e reconstruída no final de 2006 com aporte de verbas do governo estadual, o prefeito Adilson Donizeti (PSDB) disponibilizou uma placa alusiva à reinauguração, mas sem citar quando ou em qual gestão a ponte original foi construída, dando a impressão que o dispositivo foi instalado em seu próprio governo.
Ainda a poucos metros da ponte, o chafariz considerado o marco inicial da cidade - e inaugurado durante o primeiro governo de Aniceto Gonçalves -, já não conta mais com a placa alusiva à reforma realizada durante o primeiro governo Clóvis Guimarães Teixeira Coelho. De acordo com o livro “Santa Cruz do Rio Pardo - Memórias”, a placa teria s
Em janeiro do ano passado, no município de Messias Targino (RN), outra polêmica girou em torno da troca de placas de inaugurações de obras públicas, depois que a prefeita Shirley Ferreira Targino mandou retirar a placa de inauguração do Ginásio Poliesportivo Onésimo Teixeira Ribeiro.
Normatização das placas de inauguração
Em 200
4, a deputada estadual pelo PT-MT, Vera Araújo indicou um projeto de lei para normatizar as placas de inauguração no estado. Dentre outros pontos, o projeto determinava que algumas informações fossem obrigatoriamente disponibilizadas nas placas. Data do início e do término da obra; valor inicialmente previsto e valor efetivamente gasto em sua execução; nome dos empreendedores responsáveis pelo projeto e pela execução da obra, e nome do órgão ou entidade integrante da administração pública responsável pela fiscalização da mesma. Projeto semelhante foi aprovado no mesmo ano em Minas Gerais. De autoria do deputado Laudelino Augusto (PT), o PL 1.735/04 também dispõe sobre a divulgação obrigatória de informações em placas de inauguração de obras públicas.
Matéria publicada no impresso Tribuna de Rio das Ostras em 22/02/08.
Em 200
Matéria publicada no impresso Tribuna de Rio das Ostras em 22/02/08.