06 março 2008

Patronato nega reajuste e benefícios

Os sindicatos patronais estão irredutíveis em relação às reivindicações dos jornalistas neste início da campanha salarial 2008. O patronato de rádio e televisão nega o reajuste anual reivindicado pela categoria, que é de 8,36%, o que significa reposição salarial de 5,36% – a inflação oficial medida pelo INPC – mais 3% de aumento real. Insiste em 5% e só admite negociar esse percentual se for retirada da pauta de reivindicações uma série de benefícios sociais.Em três rodadas de negociação com os representantes dos donos de rádio e televisão e em duas rodadas com os de jornais e revistas, a resposta à maioria das reivindicações é sempre “não”. Eles não querem reconhecer o piso salarial de R$ 1.900,00 para cinco horas de trabalho e muito menos conceder o aumento do tíquete refeição para R$ 18,00.Também se negam a conceder plano de saúde e odontológico, licença maternidade de 180 dias, aumento de 20% no pagamento das duas horas contratuais – hoje pagam 60% –, além de ajuda para compra de alimentação em supermercados e seguro maior para jornalistas que atuam constantemente em áreas de risco. A recusa em pagar R$ 18,00 pelo tíquete-refeição significa total descaso diante das pesquisas sobre o preço da refeição fora de casa. Levantamento das empresas do setor (Assert) mostra que o preço da refeição em bares e restaurantes em 2007 passou de R$ 15,32 para R$ 16,97 no Rio de Janeiro.Durante as negociações com os jornalistas, os representantes dos patrões só falam de problemas. Mas a realidade é bem diferente. Para eles, o ano de 2007 foi pródigo em boas notícias.O faturamento bruto das emissoras de rádio e televisão em 2007 superou a inflação. As emissoras de televisão faturaram 8,57% em relação ao ano anterior, enquanto nas emissoras de rádio este índice chegou a 5,60%, segundo levantamento da assessoria econômica do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo.Números do grupo Meio & Mensagem (M&M), mostram que no ano passado o faturamento dos jornais com anúncios e classificados cresceu 15,2% em relação a 2006, atingindo R$ 3,1 bilhões.O balanço do IVC (Instituto Verificador de Circulação) referente ao ano passado mostra que a circulação dos principais jornais brasileiros cresceu 10,1% em relação ao ano anterior. Estão entre os que conseguiram os melhores desempenhos os jornais O Globo (5,2%), Lance (12,3%) e O Estado de São Paulo (4,8%).O IVC revela ainda que “houve um ambiente favorável” no mercado editorial, permitindo que os jornais tomassem uma série de medidas para conquistar novos leitores, “com reformulação de projetos e mudanças gráficas.”
3 de abril de 2008
Fonte: SJPMRJ

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